Publicado 06 de Novembro de 2012 - 17h41

Por Agência Estado

Em cada porta, uma história diferente de abuso policial. No Complexo da Maré, zona norte do Rio, muitos dos 130 mil moradores têm um relato de constrangimento, humilhação e violência por parte dos policiais que realizam operações no maior conjunto de favelas ainda não pacificadas da cidade. À espera da ocupação policial definitiva, ainda sem data prevista, os moradores receberam nesta terça-feira orientações sobre a abordagem policial e como denunciar os abusos.

 

"Meu neto de 16 anos foi encurralado na parede na frente da minha casa com três fuzis apontados na cara. Ele me gritou assustado, tinha saído para comprar pão. Questionei os policiais e eles mandaram eu calar a boca", relembra a aposentada Maria Neuza Ferreira, de 60 anos. "Querem trazer a lei para cá, mas tem que trazer também o respeito." A aposentada não hesitou em colar na sua porta o adesivo de alerta aos policiais: "Nós conhecemos nossos direitos."

 

Nesta terça-feira, na comunidade Nova Holanda, 50 mil adesivos e cartilhas foram distribuídos. Outras 15 favelas do complexo também receberão a ação, coordenada pela ONG Redes da Maré em parceria com a Anistia Internacional e o Observatório de Favelas. Cerca de 100 voluntários devem percorrer as comunidades orientando os moradores.

 

O material distribuído explica as regras de abordagem dos policiais. Se parado na rua, o morador deve saber as razões da revista e não pode ser detido por estar sem documentos. Para abordagens em casa, a orientação é que o morador questione se há mandado e que acompanhe a revista policial. Nas cartilhas, há também um número para realizar denúncias contra abusos.

 

A Maré, na zona norte do Rio, é dominada por diferentes facções criminosas e recebeu parte dos usuários de crack e traficantes de drogas de outras favelas já ocupadas pela polícia. Com a iminente chegada das forças de pacificação, os moradores contam que as operações policiais têm se intensificado - e também a violência. "Tenho medo de eles invadirem, colocarem droga e dizer que é nossa. Aqui é assim", afirmou Michele Ribeiro, de 25 anos.

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