Publicado 27 de Novembro de 2012 - 23h58

Por Ana Cristina Andrade

Ismael José Brito de Souza em delegacia em Piracicaba: acusado confessa surra, mas diz que menino bateu cabeça ao escorregar

Ana Cristina Andrade/Gazeta de Piracicaba

Ismael José Brito de Souza em delegacia em Piracicaba: acusado confessa surra, mas diz que menino bateu cabeça ao escorregar

O ex-gari Ismael José Brito de Souza, de 24 anos, foi preso em Piracicaba acusado de espancar o próprio filho, Ismael Filho, de 3 anos, que não resistiu a um traumatismo craniano — conforme atestado de óbito — e morreu na UTI da Santa Casa da cidade. Ele foi enterrado no dia em que completaria quatro anos (16 de novembro).

Brito foi preso em Francisco Morato (SP) pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), em apoio à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), e confessou à Polícia Civil que bateu no filho por duas vezes: uma porque o menino fez cocô na calça e a outra, duas horas depois, por ele ter vomitado.

Para surrar a criança, ele disse ter usado uma borracha de aparelho de inalação, o que justifica as marcas encontradas pelos médicos no corpo da criança. Ele diz que a criança escorregou no banheiro batendo a cabeça no vaso sanitário.

O acusado disse que a primeira vez que bateu no menino foi depois que trouxe o filho da casa da sogra e ele fez cocô. Sua mulher não estaria em casa porque acompanhava um dos filhos no hospital, que teria ingerido produto de limpeza. “Mas eu não bati nele até morrer. Ele só morreu por ter batido a cabeça no vaso”, declarou ao Grupo RAC.

Às 19h do mesmo dia, o ex-gari conta que deu leite com café para o filho. O menino vomitou e levou outra surra com a borracha. Em seguida, levou o filho para o chuveiro, onde a criança teria escorregado e batido a cabeça. Ismael Filho, segundo o próprio pai, desmaiou e teve convulsão. Ele disse que pegou o filho e colocou embaixo do chuveiro, pois, com a água, ele teria apresentado melhora.

Ele afirma que colocou a criança para dormir. A 1h30 de domingo (18), ao olhar o filho, notou que ele estava com os lábios roxos e desacordado. Levou a criança para um pronto-socorro, de onde ela foi transferida para a Santa Casa.

O menino teve morte cerebral e foi enterrado no dia 16. A avó, Joana Darc dos Santos, disse NESTA TERÇA-FEIRA (27) que “a mão de Deus pesou sobre ele (pai)”. “Ficamos aliviados com a prisão porque temos certeza que haverá Justiça”, declarou.

O delegado Wilson Lavorenti considera um serviço relevante que a DIG prestou neste caso. “A gravidade do fato causou indignação. A detenção dele era uma obrigação.” 

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Ana Cristina Andrade