Publicado 27 de Novembro de 2012 - 13h30

Por Agência Estado

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, instaurou uma comissão especial para fazer um "pente-fino" nos pareceres da Agência Nacional de Água (ANA). A fiscalização foi determinada na segunda-feira (26) pela presidente Dilma Rousseff também na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), especialmente em assuntos relacionados às áreas de atuação de servidores presos ou intimados pela Justiça na Operação Porto Seguro da Polícia Federal.

 

Segundo Izabella, no que se refere à ANA, o pente-fino não deve encontrar irregularidades. "O diretor (Paulo Vieira) não tinha ingerências nos processos finalísticos da agência. A área dele cuidava de atividades técnicas e dependia de toda a equipe para dar posições", destacou a ministra na manhã desta terça-feira, afirmando que vai aguardar as investigações para tomar as atitudes que considere necessárias.

 

Segundo a Polícia Federal, Paulo Vieira, que ocupava a Diretoria de Hidrologia da Agência Nacional de Águas, era o chefe da quadrilha que comprava relatórios técnicos de funcionários públicos para favorecer empresas privadas.

Parecer

O senador Walter Pinheiro (PT-BA) disse nesta terça-feira (27) que a presidente Dilma Rousseff fez o que devia em relação às denúncias envolvendo servidores do alto escalão do governo, que foi exonerar os envolvidos dos cargos.

"Não é algo da presidente. São figuras na estrutura do serviço público que usaram o cargo para tentar extrair vantagens. A presidente fez o que devia, que foi exonerar do cargo", afirmou o senador, numa referência à Operação Porto Seguro, que denunciou um esquema de venda de pareceres técnicos em favor de empresas e de tráfico de influência, envolvendo pessoas como a ex-chefe de gabinete do escritório regional da presidência em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha e o ex-advogado geral da União adjunto José Weber Holanda.

 

O senador fez ainda uma comparação da atitude da presidente a partir das denúncias da Polícia Federal com o caso de Carlos Augusto Cachoeira, o Carlinhos Cachoeira. "Se alguém tivesse mandado parar (o esquema de Cachoeira), não teríamos demorado três anos para levar adiante as denúncias", disse referindo-se à CPI do Cachoeira.

 

Pinheiro disse que os líderes já conversaram com o governo sobre a necessidade de ministros e presidentes de agências prestarem esclarecimentos sobre as denúncias da Polícia Federal no Congresso. "É uma coisa que assusta a todos nós. Pessoas que têm mandato, pessoas que têm carreira e que agem em benefício próprio ou para beneficiar outros", comentou.

 

O senador elogiou ainda o trabalho da Polícia Federal. "A PF fez um trabalho importante e mostra que é um ótimo organismo de combate à corrupção", disse, ao deixar o ministério da Fazenda, onde esteve reunido com o ministro Guido Mantega e outros líderes da base aliada para discutir ICMS.

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