Publicado 27 de Novembro de 2012 - 21h22

Por France Press

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu nesta terça-feira (27) autorização à Assembleia Nacional para viajar para Cuba, onde deverá realizar um novo tratamento contra o câncer diagnosticado em 2011, informou o presidente do Parlamento, Diosdado Cabello.

 

"Solicito a esta Assembleia soberana que seja autorizada minha ausência do território nacional a partir de 27 de novembro do ano em curso e a permanência em nossa irmã República de Cuba" para das continuidade ao tratamento contra a doença, afirmou Chávez, em uma carta lida por Cabello.

"Nosso companheiro Hugo Chávez faz este pedido para continuar seu tratamento, que diz estar seguindo ao pé da letra", acrescentou Cabello durante uma sessão especial no estado Aragua (norte) da Assembleia, que aprovou o pedido.

Cabello não informou a data de retorno do presidente, que deve embarcar na terça-feira. Segundo a legislação venezuelana, o presidente deve pedir autorização da Assembleia para se ausentar do país por mais de cinco dias.

O governante indicou na carta ter recebido recomendações de "iniciar um tratamento especial, que consiste em várias sessões de oxigenação hiperbárica que, junto com a fisioterapia, continuam consolidando o processo de fortalecimento da saúde já vem experimentando".

Depois de ser reeleito para um terceiro mandato consecutivo no dia 7 de outubro, Chávez admitiu que sua saúde afetou seu desempenho na campanha eleitoral, apesar de ter declarado em julho que estava totalmente "livre" da enfermidade.

"Como é de conhecimento do país, a par da intensa campanha eleitoral e das tarefas como chefe de Estado e de governo, venho tomando os devidos cuidados com minha saúde e cumprindo o plano de tratamento complementar ordenado pela equipe médica que me atende", explicou o presidente na carta.

Desde que foi reeleito, o governante apareceu em público em poucas ocasiões, em sua maioria liderando conselhos de ministros no Palácio de Miraflores, e deixou de utilizar frequentemente sua conta na rede social Twitter.

Segundo o doutor José Felix Oletta, ex-ministro da Saúde, a oxigenação hiperbárica é recomendada para "pacientes que receberam radioterapia e podem desenvolver, a longo prazo, lesões nos ossos e na pele".

"Não é um tratamento formal contra o câncer. Pode se tratar de uma terapia paliativa experimental, mas isto me surpreende muito", disse Oletta à AFP sobre a opção hiperbárica.

O cirurgião Giuseppe Claudio Lasagna destacou que na Venezuela "também há câmaras hiperbáricas" e que "este tratamento não é uma cura contra o câncer, mas o problema com a saúde do presidente é que ninguém sabe nada".

A ausência de Chávez também foi sentida nas campanhas para as eleições regionais de 16 de dezembro, quando se esperava que aparecesse em comícios, para apoiar seus principais candidatos, como o ex-vice-presidente Elías Jaua, que enfrentará o opositor Henrique Capriles pelo governo do rico estado Miranda (norte).

No meio da disputa regional, Capriles, que buscará sua reeleição em Miranda após perder as eleições presidenciais contra Chávez, perguntou recentemente "Onde está o presidente?" e o convidou a "dar as caras".

"O Presidente prometeu mundos e fundos na campanha e agora está desaparecido, agora não é visto em nenhum lado", disse o governador.

Para o diretor do instituto de pesquisas Datanálisis, Luis Vicente León, a "ausência do presidente na campanha regional evidencia que a doença continua sendo um assunto pendente" e considerou que "o ambiente (político) voltará a se encher de rumores sobre a enfermidade de Chávez e a campanha regional será ofuscada de novo" após o anúncio de sua viagem à Cuba.

O presidente, de 58 anos e no poder desde 1999, se submeteu a tratamentos de quimioterapia e radioterapia depois de ser diagnosticado com um câncer em junho de 2011 em Havana, onde tratou quase exclusivamente da enfermidade, que nunca teve a sua localização ou gravidade reveladas.

Sua recaída mais recente foi em fevereiro, quando teve que se submeter a uma nova intervenção cirúrgica em Havana, e realizar vários ciclos de radioterapia.

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