Publicado 27 de Novembro de 2012 - 20h03

Por France Press

No Egito, milhares protestam na praça Tahrir, do Cairo

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No Egito, milhares protestam na praça Tahrir, do Cairo

Dezenas de milhares egípcios protestavam nesta terça-feira (27) após o anúncio da véspera de que o presidente islamita Mohamed Mursi manterá um decreto com o qual assume amplos poderes suplementares, apesar de vários dias de protestos e da oposição da justiça.

 

Milhares de advogados participaram de uma passeata em direção à Praça Tahrir gritando "o povo quer a queda do regime", um dos lemas emblemáticos da revolta do ano passado, que terminou com a queda de Hosni Mubarak.

Outros grupos de manifestantes avançaram para a famosa praça do centro da cidade, aonde chegam progressivamente mais pessoas que protestam contra o governo.

Fatih Ghalib, militante de um partido de esquerda de 56 anos, morreu de manhã asfixiado pelo gás lacrimogêneo da polícia perto da embaixada do Cairo, anunciou seu partido, o que eleva para três o número de manifestantes mortos nos enfrentamentos dos últimos dias.

"A Irmandade Muçulmana é mentirosa", indicava um cartaz exibido por um manifestante, enquanto uma bandeira na entrada da praça proclamava: "Proibido à Irmandade Muçulmana", grupo ao qual Mursi pertence.

Na manhã desta terça-feira foram registrados confrontos entre grupos de jovens e a polícia perto da Praça Tahrir.

Partidários e opositores do presidente egípcio também se enfrentaram nesta terça-feira em Mahalla, no norte do país. Uma autoridade de segurança afirmou à AFP que os dois lados se agrediram com pedras quando manifestantes tentaram invadir a sede do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), de Mursi.

O PLJ indicou em seu site que 80 simpatizantes ficaram feridos nos confrontos e acusou a polícia de não ter agido em Mahalla.

Na cidade litorânea de Alexandria (norte), a Irmandade Muçulmana ordenou que seus membros deixem a sede do grupo, atacada por manifestantes, segundo sua conta no Twitter.

Os confrontos no Cairo, que começaram na semana passada ao redor da praça Tahrir, foram retomados nos arredores da embaixada americana com pedradas e com bombas de gás lacrimogêneo.

Na Praça Tahrir, barracas estão instaladas desde sexta-feira em protesto contra o decreto através do qual o presidente islamita colocou suas decisões acima de qualquer recurso, uma iniciativa que a oposição denunciou como uma medida ditatorial.

Esta crise é a mais grave desde a eleição de Mursi, membro da Irmandade Muçulmana e que dirige o país mais populoso do mundo árabe, com 83 milhões de habitantes.

"O presidente empurra o povo para a desobediência civil", "A Irmandade Muçulmana rouba a revolução", proclamavam os manifestantes em faixas exibidas na Praça Tahrir.

"Ficaremos na Tahrir até que Mursi tenha anulado sua declaração", afirmou Ahmed Fahmy, um desempregado de 34 anos que acampa nesta praça símbolo da revolta que provocou a queda de Mubarak em fevereiro de 2011.

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