Publicado 27 de Novembro de 2012 - 15h57

Por France Press


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"A decisão do Eurogrupo é um novo ponto de partida que o país precisava depois de nove meses de espera", disse Samaras

A Grécia conseguiu nesta terça-feira um respiro após vários meses de tensão graças ao compromisso de seus credores da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em liberar os empréstimos prometidos e de atuar para reduzir sua dívida.

 

O primeiro-ministro grego, Antonis Samara, celebrou a decisão da zona do euro, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu (BCE) ao fim de uma reunião de urgência em Bruxelas e declarou que "uma nova etapa começa para todos os gregos".

 

A Grécia esperava há várias semanas o acordo UE-FMI sobre sua dívida, após ser obrigada a aceitar uma nova série de medidas de rigor econômico, condição prévia para receber lotes de empréstimo que vinham sendo postergados a meses.

 

"A decisão do Eurogrupo é um novo ponto de partida que o país precisava depois de nove meses de espera (...). É algo positivo graças aos sacrifícios do povo grego", declarou Evangelos Venizelos, líder do socialista Pasok e principal aliado da coalizão dirigida pelo conservador Antonis Samaras.

 

Fotis Kuvelis, terceiro associado do executivo e líder do Dimar (esquerda democrática) felicitou o anúncio dizendo que este foi "um passo determinante para manter o país na zona do euro".

 

A UE decidiu conceder um empréstimo de 43,7 bilhões de euros, dos quais um primeiro lote de 34 bilhões deve ser entregue no dia 13 de dezembro. O restante deverá ser entregue em três lotes durante o primeiro trimestre de 2013.

 

Sobre o delicado tema da redução da dívida, ponto de desacordo entre o FMI e a zona do euro, as partes acordaram finalmente após mais de 13 horas de reunião que a dívida fosse reduzida a 124% do PIB até 2020, contra uma meta inicial de 120% que era exigida pelo FMI.

 

Segundo uma fonte europeia, isso significa um alívio de 40 bilhões de euros até 2020. Sem novas medidas, a dívida chegando a 144% de PIB em 2020, nível considerado impraticável pelo FMI.

 

A maioria dos veículos gregos felicitaram o anúncio, mas ao mesmo tempo disseram que o país não deve aceitar em contrapartida um aumento "da vigilância" de seus credores pelas práticas que se comprometeu a efetuar.

 

"Finalmente(temos) a decisão sobre o pagamento da dívida", disse o jornal liberal Kathimérini, destacando "as condições estritas do mecanismo de vigilância do país".

Para o jornal Ta Nea (centro esquerda), disse que "os gregos, que adotaram medidas duras, tinham o direito de receber essa ajuda, mas a decisão do Eurogrupo não é uma solução para o conjunto do problema da dívida grega".

Para a esquerda grega, no entanto, as exigências dos credores condenam o país a uma morte lenta, enquanto que a solução para a dívida está uma vez mas baseada em alquimias contábeis e postergada para o futuro.

Obrigada a uma estrita austeridade depois de ter recorrido ao mecanismo de socorro UE-FMI quando teve início a crise da dívida em 2010, a Grécia está imersa em uma grave recessão pelo quinto ano consecutivo, enquanto que o desemprego afeta a um quarto da população ativa.

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