Publicado 25 de Novembro de 2012 - 11h37

Por France Press

Chanceler alemã, Angela Merkel, foi taxativamente contra uma eventual perdão da dívida grega até 2015

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Chanceler alemã, Angela Merkel, foi taxativamente contra uma eventual perdão da dívida grega até 2015

Os ministros de Finanças da Eurozona e outros credores públicos da Grécia - Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE) - estarão reunidos na segunda-feira em Bruxelas pela terceira vez em duas semanas para tentar um acordo sobre a entrega de uma ajuda à Grécia, e assim evitar o risco de uma suspensão dos pagamentos.

 

Ao todo, serão negociados 44 bilhões de euros em ajudas prometidas ao país, cuja entrega está atrasada. "A Grécia não tem nenhuma responsabilidade por este atraso", disse Carsten Brzeski, analista do banco ING.

 

O país realizou as reformas que lhe foram exigidas para obter ao menos o maior dos lotes desta ajuda, 31,2 bilhões de euros, bloqueados há cinco meses.

 

O governo grego, à beira da suspensão de pagamentos, converteu-se agora em um impotente espectador das negociações entre seus credores, incapazes de realizar um acordo sobre a maneira de reduzir a colossal dívida do país.

Segundo uma fonte europeia próxima às negociações, os ministros de Finanças da Eurozona (Eurogrupo) realizaram uma teleconferência no sábado e entraram em um acordo sobre uma base de negociações com o FMI sobre os meios para reduzir a dívida grega. Essa teleconferência teve como objetivo preparar a reunião de segunda-feira.

Os 17 países da Eurozona, o FMI - que estará representado na segunda-feira por sua diretora-geral Christine Lagarde - e o BCE já decidiram outorgar dois anos suplementares à Grécia para que esta ponha suas finanças em equilíbrio em 2016 e não mais em 2014, como previsto anteriormente. Esta prorrogação gerará um custo suplementar de 32 bilhões de euros.

 

Contudo, os credores ainda precisam chegar a um consenso sobre o futuro da dívida grega. Há duas semanas ficou claro o desacordo entre Lagarde, que quer que a Grécia reduza sua dívida pública a 120% do PIB em 2020, e o Eurogrupo, partidário de postergar este objetivo para até 2022.

 

A solução mais fácil seria sem dúvida perdoar ao menos parte da dívida grega por parte dos credores públicos, como fizeram os bancos privados no início de 2012. O FMI é favorável à ideia, mas o BCE e a Alemanha são contrários a ela.

 

A teleconferência de sábado, no entanto, permitiu o avanço em alguns pontos.

 

Os ministros de Finanças da Eurozona concordaram em reduzir as taxas de juros dos empréstimos bilaterais já concedidos à Atenas dentro do primeiro programa de ajuda à Grécia, mas sem fixar quais serão as novas taxas.

 

Também decidiram dar à Grécia uma parte dos benefícios realizados pelos bancos centrais nacionais e pelo BCE sobre os bônus gregos que possuem.

 

Além disso, a base de uma compra da dívida grega foi atingida. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) se encarregaria de comprar dívida grega no mercado secundário, mas não se sabe em que volume, explicou à AFP uma fonte consultada após a teleconferência.

 

Ainda não se sabe também se o FMI "estará de acordo" com estas medidas, afirmou.

 

Segundo o jornal alemão Welt am Sonntag deste domingo, representantes da Eurozona falaram esta semana em Paris de um eventual perdão da dívida grega até 2015.

 

Contudo, a chanceler alemã, Angela Merkel, foi taxativamente contra esta medida na sexta-feira: "Quero encontrar outra solução" disse, mas afirmando ao mesmo tempo que não acredita que seja resolvido na segunda-feira a questão da entrega de ajuda financeira à Grécia.

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