Publicado 06 de Novembro de 2012 - 15h19

Por France Press

Eleitores nos EUA realizam votação durante a tarde desta terça-feira (6)

France Press

Eleitores nos EUA realizam votação durante a tarde desta terça-feira (6)

Os eleitores americanos foram às urnas nesta terça-feira para votar nas eleições presidenciais mais disputadas as últimas décadas e marcadas pelas visões econômicas totalmente diferentes do presidente democrata Barack Obama e de seu desafiante republicano Mitt Romney.

 

A ansiedade causada pelas pesquisas de opinião passou e agora o maior show político do mundo entrou em seu emocionante desfecho, após uma viagem de montanha-russa de 18 meses que expôs a polarização da população.

 

A campanha mais cara da história dos Estados Unidos viu cerca de US$ 6.000 bilhões de dólares serem gastos pelos candidatos em uma disputa para conquistar uma fatia fina de um eleitorado indeciso e que pode fazer a diferença nas urnas.

 

Depois de campanhas frenéticas de última hora, os eleitores se decidiam pela reeleição de Obama, apesar da frágil economia, ou por entregar as rédeas do país a Romney, que prometeu um retorno à prosperidade.

Eles também vão decidir sobre os candidatos que ocuparão um terço do Senado, liderado pelos democratas, e sobre toda a Câmara de Representantes, de maioria republicana. Mas com poucas chances de uma das duas câmaras mudarem de mãos, o atual impasse político provavelmente permanecerá.

Obama, de 51 anos, supera seu adversário republicano por uma pequena margem, enquanto tenta desafiar o precedente histórico que sugere que os presidentes americanos não conseguem alcançar um segundo mandato de quatro anos em períodos de desemprego elevado.

Romney, de 65 anos, ex-governador de Massachusetts e criticado como um rico empresário indiferente aos problemas da classe média, se vencer fará história como o primeiro presidente mórmon que promete fortalecer o crescimento econômico e a criação de empregos.

Ao depositar seu voto em Belmont, Massachusetts, com a mulher, Ann, Romney disse que se sente muito bem em relação às perspectivas de sua eleição, mas sua decisão de ir para Ohio e Pensilvânia no dia da eleição demonstra que o candidato não está tão tranquilo.

Os dois candidatos fizeram o seu apelo final aos eleitores em comícios noturnos realizados na segunda-feira, na presença de simpatizantes fervorosos.

"Amanhã, do granito de New Hampshire às Montanhas Rochosas do Colorado, da costa da Flórida às colinas da Virgínia, dos vales de Ohio a estes campos de Iowa, vamos manter a América avançando", disse Obama.

Discursando em Iowa, o primeiro estado que alimentou seus sonhos à Casa Branca em 2008, uma única lágrima rolou do rosto do presidente enquanto ele realizava o seu último evento desta campanha, vença ou não a eleição.

Romney colocou um ponto de exclamação em sua campanha com seu próprio comício à noite em uma arena de esportes em New Hampshire, onde lançou sua cruzada em direção à Casa Branca quase 19 meses atrás.

"Amanhã é um momento de olhar para o futuro e imaginar o que podemos fazer, deixar os últimos quatro anos para trás e construir um novo futuro", disse.

Os eleitores também vão pesar sobre mais de 170 questões estatais de vários assuntos, que vão do casamento gay à legalização da maconha e do aborto.

Uma corrida pela Casa Branca sem brilho, tão diferente da busca eufórica de Obama por esperança e mudança em 2008, produziu a eleição que os dois lados previram - uma briga frenética por vitórias apertadas em vários estados-chave.

A eleição presidencial americana não é decidida diretamente pelo voto popular, e exige que os candidatos acumulem 270 de um total de 538 votos de um colégio eleitoral concedidos por certo número de delegados em cada estado com base na população local.

Um candidato pode, portanto, ganhar o voto nacional popular e ser privado da presidência por não alcançar o número necessário de votos no colégio eleitoral.

Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, se agarrava nas esperanças dos estados do centro-oeste do país de Ohio, Wisconsin e Iowa, que poderiam, junto com os estados tradicionalmente democratas, garantir a sua reeleição.

Em números calculados pelo site RealClearPolitics, Obama liderava em Iowa (por 2,4%), Ohio (2,9%), Wisconsin (4,2%), Virgínia (0,3%), New Hampshire (2,0%) e Colorado (1,5%).

Romney levava a melhor por 1,5% no grande estado da Flórida e na Carolina do Norte, que Obama venceu por apenas 3%, ou 14.000 votos, em 2008.

Os assessores de Romney previram que uma onda de entusiasmo para o republicano iria confundir as pesquisas estaduais, que, segundo eles, superestimaram o apoio democrata e não registraram a corrente de antipatia por Obama.

"Vai ocorrer uma participação maior do que o normal, com certeza", afirmou a ativista pró-Romney Chris Redder enquanto distribuía propagandas de seu candidato para eleitores em Falls Church, Virgínia, indicando quais campos marcar nas cédulas de votação.

"Eu considero esta uma eleição importante", disse à AFP. "São duas visões da América - mais responsabilidade pessoal versus governo mais intrusivo, e pró-vida versus o que eu diria ser pró-aborto".

Na Flórida, em um auditório próximo a Little Havana, as pessoas começaram a se apresentar para votar horas antes da abertura dos centros de votação.

"Precisamos mudar este presidente. Preciso de um emprego para a minha esposa, para a minha filha, um futuro melhor para os meus netos, e é por isso que eu vou votar em Romney", afirmou o cubano-americano Ruben Salazar, de 72 anos, à AFP.

A mensagem central da campanha de Obama foi a de que ele salvou os Estados Unidos de uma segunda Grande Depressão depois que a economia estava à beira do colapso quando ele assumiu o poder, em 2009, substituindo o presidente republicano George W. Bush.

O presidente reivindica crédito por ter acabado com a guerra no Iraque, por salvar a indústria automobilística dos Estados Unidos, matar Osama bin Laden, oferecer para quase todo cidadão americano um seguro de saúde e passar a mais abrangente reforma de Wall Street em décadas.

Já Romney buscou gerar frustração com o ritmo lento da recuperação da economia e argumentou que o presidente não tinha ideia de como criar postos de trabalho, com o desemprego em 7,9% e milhões sem trabalho.

Nenhum presidente desde a II Guerra Mundial foi eleito com a taxa de desemprego acima de 7,4%, e Obama espera evitar o destino de uma série de líderes europeus, que pagaram a crise econômica com seus próprios empregos.

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