Publicado 10 de Novembro de 2012 - 16h08

Por France Press

Uma terceira explosão aconteceu pouco depois em um outro posto militar da cidade, mas não provocou baixas nem danos, disse o OSDH

France Presse

Uma terceira explosão aconteceu pouco depois em um outro posto militar da cidade, mas não provocou baixas nem danos, disse o OSDH

Ao menos 20 soldados perderam a vida neste sábado na explosão de dois carros-bomba em um clube de oficiais da cidade de Deraa, no sul da Síria, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Os dois carros com explosivos explodiram com um intervalo de alguns minutos entre uma explosão e outra, próximos a um jardim localizado atrás do clube, declarou à AFP o presidente do OSDH, Rami Abdel Rahman.

"Esses ataques suicidas foram perpretados por dois homens que conduziam carros carregados de explosivos", disse. A agência oficial Sana confirmou as explosões, mas não precisou o número de vítimas.

Uma terceira explosão aconteceu pouco depois em um outro posto militar da cidade, mas não provocou baixas nem danos, disse o OSDH. Não se sabe ainda a causa da terceira explosão.

A província síria de Deraa, que faz fronteira com a Jordânia, é considerada o berço da rebelião contra o regime do presidente Bashar al-Assad, iniciada em março de 2011.

No Nordeste do país, o regime perde cada vez mais terreno. Os combatentes curdos tomaram o controle durante a noite de sexta-feira ao sábado de duas cidades, Derbasiyé e de Tal Nemer, depois de terem negociado a passagem das forças governamentais, segundo o OSDH e militantes.

No resto do país, continuavam os combates e bombardeios, especialmente na província de Damasco, palco de intensos enfrentamentos há vários dias, segundo o OSDH.

Nova reunião da oposição prevista em Doha

A oposição, convocada pelos países árabes, pelas potências ocidentais e pelos rebeldes sobre o terreno a unificar-se, discute desde quinta-feira em Doha, sob a égide de Catar e da Liga Árabe, um projeto para federá-la.

O Conselho Nacional Sírio (CNS) expressou suas reservas sobre o projeto de unificação da oposição. "Começamos um diálogo aberto com nossos irmãos" dos outros grupos da oposição e "fomos informados de sua iniciativa, mas temos nosso próprio ponto de vista e nossas ideias", declarou durante uma coletiva de imprensa em Doha Georges Sabra, novo presidente do CNS, um cristão de 65 anos.

"Nenhuma parte pode ser agrupada sob a bandeira de outro", disse Sabra.

Desde a quinta-feira à noite, o CNS solicitou em duas ocasiões mais tempo para anunciar sua decisão sobre este projeto inspirado em um plano do opositor Riad Seif, que prevê a formação de uma instância política unificada de sessenta membros.

O CNS elaborou por sua própria iniciativa a formação de um "governo provisório" à espera da celebração de um congresso geral, segundo um documento obtido pela AFP.

Considerado nos primeiros momentos da revolta pela comunidade internacional como um "interlocutor legítimo", o CNS foi mui criticado depois, especialmente pela administração norte-americana, por sua falta de representatividade.

Os Comitês Locais de Coordenação, uma importante rede de militantes que organiza a revolta sobre o terreno na Síria, mas sem representação na nova direção da CNS, eleita esta semana, abandonou na sexta-feira esta instância, acusando a Irmandade Muçulmana de ter tomado o controle.

Aumento do número de refugiados

No sábado, o conflito deixou 49 mortos - 29 soldados, 13 civis e 7 rebeldes - disse a OSDH, baseada em uma ampla rede de militantes e fontes médicas no país.

Uma mostra que a violência se intensifica são os 11.000 sírios que fugiram do país, 9.000 deles refugiados na Turquia, em 24 horas, disse na sexta-feira Panos Moumtzis, responsável pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Normalmente, cerca de 2.000 novos refugiados sírios são contabilizados por dia.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou haver uma "guerra contra o terrorismo" e defendeu uma solução eleitoral para um conflito que já dura quase 21 meses e que deixou mais de 37.000 mortos e para o qual não se prevê nenhuma saída, em uma entrevista concedida a uma rede de televisão russa e cuja transcrição foi publicada na sexta-feira.

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