Publicado 09 de Novembro de 2012 - 16h31

Por France Press

A presidente argentina, Cristina Kirchner, atravessa um dos momentos mais difíceis desde a sua chegada ao poder, com uma nova manifestação em massa que ilustra a sua perda de apoio de parte da classe média.

 

"Sim à democracia, não à reeleição", gritavam na quinta-feira (8) à noite milhares de manifestantes nas ruas das principais cidades do país, entre elas Rosário (centro-leste), Córdoba (centro), Mendoza e Bariloche (oeste), denunciando também a insegurança e a corrupção.

 

"A presidente está perdendo o apoio de uma parte da classe média que votou nela há um ano", considerou a analista política Graciela Romer à AFP.

 

"Havia muitas mulheres e jovens", observou o analista Jorge Giacobbe. "Este é um movimento heterogêneo, cuja base social foi ampliada em comparação com o de 13 de setembro", acrescentou, lembrando um protesto anterior.

 

Os manifestantes rejeitaram a possibilidade de um terceiro mandato de Kirchner, que não está previsto pela Constituição argentina. A presidente foi eleita pela primeira vez em 2007 e reeleita em outubro de 2011.

 

O governo possui maioria no Congresso, mas não os dois terços de votos necessários para alterar a Constituição. Eleições legislativas devem ser realizadas em outubro de 2013 na Argentina.

 

A ideia de uma segunda reeleição foi lançada, de acordo com alguns analistas, a fim de reafirmar o poder de uma presidente cada vez mais questionada.

 

Outros acreditam que há um núcleo no gabinete de Cristina que se apega à sua reeleição como a única forma de permanecer no poder, já que a presidente não tem um sucessor.

 

Mais de 80% da população, no entanto, rejeita a iniciativa, de acordo com o Instituto Management & Fit.

 

"O estilo presidencial é rejeitado", disse Graciela Romer, referindo-se às críticas dos manifestantes relativas ao "desprezo" ou ao "autoritarismo" apresentados por Kirchner. Mas as políticas públicas também não estão a salvo de críticas.

Os manifestantes também acusam a presidente de "mentir" sobre a inflação.

 

O Fundo Monetário Internacional alertou em setembro que apresentará "cartão vermelho", caso a Argentina não retifique sua medida de inflação.

 

Em 2011, a Argentina declarou uma inflação a 9,5%, mas os institutos privados a estimam em 23% ou 25%.

 

Estes protestos ocorrem no momento em que o crescimento da economia argentina passou de 9% em 2011 - ano em que Kirchner se reelegeu com 54% dos votos - para 2,2% este ano, segundo previsões do Banco Mundial.

 

Além disso, o governo impôs controles estritos sobre o mercado de câmbio, o que limitou a circulação de moeda estrangeira para lutar contra a fuga de capitais e lidar com os vencimentos da dívida.

 

O país é agora obrigado a manter a sua moeda, porque não tem acesso a linhas de crédito internacionais, devido ao seu histórico default de 2001 de mais 100 bilhões de dólares de dívida.

 

Estas medidas tornam a vida difícil para os argentinos, que veem o dólar como um refúgio seguro contra a inflação.

 

A popularidade de Kirchner está caindo. "Sua imagem positiva é de 34% contra 60% na semana de sua reeleição", disse Jorge Giaccobe.

 

"Há também a saturação de um ciclo de dez anos", acrescentou. O marido de Kirchner, Néstor Kirchner, que morreu em 2010, chegou ao poder em 2003.

 

"É o alarme de emergência", afirma Graciela Romer.

 

Contudo, a presidenta não deve ceder em nada, declarou à AFP o analista Rosendo Fraga, explicando: "é uma característica essencial de sua ação política".

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