Publicado 09 de Novembro de 2012 - 13h46

Por France Press

A companhia aérea Iberia anunciou nesta sexta-feira o corte de 4.500 postos de trabalho, quase 25% de sua mão de obra total, e avisou aos sindicatos que, sem um acordo, os cortes poderão ser ainda maiores.

 

Esperado pelos trabalhadores há meses, o plano de reestruturação prevê um corte nos postos de trabalho de 4.500 pessoas do total de 20.000 trabalhadores da companhia espanhola, anunciou nesta sexta-feira o IAG, grupo nascido em 2011 da fusão entre British Airways e Iberia.

 

Pressionando os sindicatos, o grupo definiu o dia 31 de janeiro como data limite para se chegar a um acordo e avisou que se isso não for feito, "serão necessários cortes ainda maiores e uma maior redução do tamanho das operações da Iberia".

 

O principal sindicato de pilotos da Iberia, Sepla, denunciou imediatamente "um ataque brutal dos britânicos em relação a uma companhia estratégica".

 

"Vamos pedir amparo ao governo espanho", afirmou o presidente da seção sindical da Iberia na Sepla, Justo Peral.

 

"Denunciamos há mais de um ano que existe um plano de desmantelamento para financiar a British Airways", acrescentou, destacando que "todos os sindicatos se uniram e vão enfrentar esse desmantelamento que não vão admitir de maneira alguma".

 

Os cortes na força de trabalho de uma das maiores empresas da Espanha é um duro golpe para o país, envolvido numa profunda crise econômica e sofrendo com uma taxa de desemprego que supera os 25%.

 

"Iberia está lutando pela sua sobrevivência. Perde dinheiro em todos seus mercados. Temos que tomar decisões duras para salvar a companhia e voltarmos a ser lucrativos", afirmou o conselheiro delegado da Iberia, Rafael Sánchez-Lozano, citado no comunicado do IAG.

 

"A crise econômica na Espanha e na Europa afetou a Iberia, mas nossos problemas são estruturais e anteriores à situação atual do país. A companhia perde 1,7 milhão de euros a cada dia que passa", acrescentou.

 

Segundo Sánchez-Lozano, a Iberia tem que se adaptar ao novo cenário competitivo da Espanha e da América Latina, seus principais mercados.

 

"Este plano de reestruturação é crítico para a Iberia e para o futuro da Espanha. Uma Iberia forte, lucrativa, pode criar empregos e estimular o turismo, um setor chave para a recuperação econômica da Espanha", realçou Willie Walsh, também conselheiro delegado do IAG.

 

"Queremos que a Iberia seja forte e que tenha êxito. Por tempo demais, a falta de visão e os interesses de poucos prejudicaram o futuro de muitos", denunciou Walsh em referência a alguns sindicatos da companhia.

 

O IAG anunciou nesta sexta-feira um prejuízo líquido de 39 milhões de euros entre janeiro e setembro comparado com um lucro líquido de 338 milhões no mesmo período do ano anterior. No terceiro trimestre, o lucro líquido foi de 202 milhões de euros, uma queda de 24%.

 

Além dos cortes na força de trabalho, o plano de reestruturação, que tem como objetivo endireitar o segmento deficitário dos vôos de média e curta duração, prevê a redução de 15% da capacidade da companhia espanhola, que se concentrará nas rotas mais lucrativas e na diminuição da frota em 25 aviões.

 

No âmbito financeiro, o plano deve permitir "interromper a deterioração do caixa da Iberia até a metade de 2013", informou a companhia.

 

Para solucionar os problemas de curto e médio prazo, e tomando o exemplo da bem sucedida implantação de companhias de baixo custo como Ryanair e EasyJet na Espanha, a Iberia já criou a filial low cost Iberia Express, apesar da forte oposição dos sindicatos.

 

O anúncio do plano de reestruturação acontece no dia seguinte ao comunicado do IAG do lançamento de uma oferta pública de compra da companhia espanhola de baixo custo Vueling, lucrativa apesar da crise, e que os analistas vêem como uma maneira possível de ajudar a solucionar os problemas da Iberia.

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