Publicado 08 de Novembro de 2012 - 17h16

Por France Press

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, convidado para participar de um fórum sobre democracia, declarou nesta quinta-feira na Indonésia que a questão nuclear iraniana deve ser resolvida com os Estados Unidos, informou a agência oficial de notícias Irna.

 

A questão nuclear "deve ser definida no contexto das relações entre o Irã e os Estados Unidos", disse o presidente Ahmadinejad.

 

"Todos os Estados membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e até mesmo países membros do Grupo 5+1 nos dizem claramente que o Irã deve abordar esta questão com os Estados Unidos", insistiu, de acordo com Irna.

 

A República Islâmica e as potências do Grupo 5+1 (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, China e Alemanha) buscam uma solução para a crise provocada pelo desenvolvimento de instalações nucleares no Irã, que garante ter projetos puramente civis, enquanto os ocidentais suspeitam de fins militares.

 

As negociações devem ser retomadas até o final de novembro.

 

Ahmadinejad também criticou nesta quinta a eleição presidencial americana, chamando-a de "campo de batalha para os capitalistas".

 

"Olhe para a situação na Europa e nos Estados Unidos. Uma eleição, que é uma manifestação da vontade popular, tornou-se um campo de batalha para os capitalistas e uma desculpa para se gastar uma fortuna", declarou.

 

"É por isso que muitos elementos independentes, capazes e com um coração puro não têm chances de participar do governo. A justiça, a liberdade e a dignidade humana são sacrificadas no altar do egoísmo de uma minoria poderosa", disse ele durante um breve discurso no Fórum de Bali sobre a Democracia, realizado até sexta-feira na ilha indonésia.

 

O líder iraniano se recusa, no entanto, a comentar diretamente a reeleição do presidente Obama.

 

"Perder ou ganhar, chegar ou partir, não é importante. O que importa são as políticas e atitudes, e esses comportamentos devem mudar", lançou Ahmadinejad, durante uma coletiva de imprensa à margem do fórum.

 

Ele considerou ainda que "espera o dia em que as bases militares dos Estados Unidos sejam desmanteladas em todo o mundo" e pediu o fim do "espírito de intervenção e ingerência de políticos americanos".

 

Ahmadinejad defendeu mais uma vez o programa nuclear de seu país, que chamou de "pacífico", e acusou Washington de ser o responsável pela deterioração das relações com Teerã. "Depois da Revolução Iraniana, os Estados Unidos romperam relações com o Irã e começaram com as hostilidades. Isso não é culpa do nosso povo", acrescentou.

 

A presença do líder neste fórum sobre democracia tem sido criticada por várias organizações de defesa dos direitos humanos. A conferência, que visa a promover a democracia na região, reúne 11 chefes de Estado e de Governo. Ela não tem a intenção de terminar com medidas concretas e se resume a debates.

 

Além de Ahmadinejad, também participam da reunião o presidentes afegão, Hamid Karzai, e sul-coreano, Lee Myung-Bak, assim como o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e a chefe de Governo australiana, Julia Gillard.

 

Com esta lista de dignitários, o encontro diplomático representa para o presidente iraniano a oportunidade de buscar apoio internacional em seu impasse com o Ocidente e Israel.

 

A Indonésia, maior país muçulmano do mundo por sua população, é uma aliada de Teerã e já recebeu o seu chefe de Estado em outras ocasiões.

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