Publicado 08 de Novembro de 2012 - 17h11

Por France Press

O Banco Central Europeu (BCE) manteve nesta quinta-feira sem alterações sua taxa básica de juros e insistiu que são os governos que devem se esforçar para fazer o necessário para estabilizar a Eurozona.

 

"A bola está completamente do lado dos governos e não do BCE", disse após a reunião do conselho de governadores o presidente da instituição com sede em Frankfurt, Mario Draghi.

 

O BCE manterá em 0,75%, o nível mais baixo da história, sua taxa básica de juros, referência para a Eurozona.

 

Os mercados financeiros não esperavam um corte da mesma, já que tal opção teria muito pouco efeito na fragilizada economia da união monetária, que segundo a Comissão Europeia apresentará contração de 0,4% no conjunto de 2012 e crescerá apenas 0,1% em 2013.

 

O próprio Draghi não deu indicações sobre se a taxa pode vir a ser reduzida para estimular o crédito e por extensão a atividade, o crescimento e o emprego. Contudo, ele se mostrou pessimista sobre as perspectivas da Eurozona, o que alguns analistas viram como um indicador de que a taxa pode ser cortada nos próximos meses.

 

Segundo ele, a recuperação da Eurozona será "lenta, mas progressiva e sólida", graças aos bons fundamentos de sua economia.

 

Mario Draghi reconheceu que no ano que vem "se espera que o impulso do crescimento continuará sendo frágil". E, em defesa de sua instituição, insistiu que a atividade continua sendo apoiada pela política monetária do BCE.

 

A principal das iniciativas do BCE foi o anúncio em setembro do programa de compra da dívida de países em apuros no mercado secundário.

 

Esse programa, chamado Outright Monetary Transactions (OMT), serviria para rebaixar o custo pelo qual os Estados da Eurozona são financiados, que previamente terão que solicitar assistência financeira a seus sócios e comprometer-se a sanear suas contas.

 

O simples anúncio do programa, que de momento não foi aplicado, uma vez que nenhum Estado o solicitou, aparentemente bastou para acalmar a pressão sobre a dívida dos Estados mais afetados, como Espanha e Itália.

 

Prova disso é que nesta quinta-feira o Tesouro espanhol captou 4,763 bilhões de euros em emissões a 3, 5 e 20 anos, com juros em queda nas duas primeiras linhas.

 

Draghi recordou que o BCE "está disposto a atuar" caso algum Estado solicite ajuda, mas enfatizou que os governos europeus também devem "apoiar esta confiança aplicando as reformas necessárias para reduzir os desequilíbrios fiscais e orçamentários".

 

"As reformas estruturais são cruciais para estimular o potencial de crescimento dos países da Eurozona e para apoiar o emprego", disse Draghi.

 

O funcionário felicitou também como "um passo importante" a adoção do novo pacote de austeridade na Grécia, mas deixou claro que a instituição que preside não renunciará no reembolso das obrigações gregas em seu poder.

 

"Isso seria um financiamento monetária (...), coisa que não podemos fazer", porque os estatutos do BCE proíbem financiar o déficit público dos países do euro, recordou Draghi.

 

Contudo, os sócios europeus de Atenas podem renunciar aos juros das obrigações gregas para oferecê-los à Grécia.

 

O economista da ING Bélgica, Carsten Brzeski, disse que a insistência de Draghi na importância do programa OMT "indica que o BCE não crê atualmente que a redução de suas taxas seja uma ferramenta efetiva para combater a recessão".

 

"Inclusive com reformas estruturais, medidas de austeridade e um OMT ativo, há muitas possibilidades de que o BCE precise adotar medidas adicionais para apoiar a economia da Eurozona. Uma dessas medidas poderia ser um corte das taxas, mas este não será decidido no próximo mês", disse o analista.

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