Publicado 08 de Novembro de 2012 - 12h38

Por France Press

O terremoto de 7,4 graus de magnitude que atingiu a Guatemala na quarta-feira deixou 48 mortos e outros 150 feridos, enquanto ainda há desaparecidos em meio aos escombros.

 

O terremoto também foi sentido nos vizinhos México e El Salvador, provocando um alerta de tsunami na costa salvadorenha e evacuações de escritórios, casas e escolas, inclusive na Cidade do México.

 

"Temos que lamentar a morte de 48 pessoas, um número que pode aumentar, já que ainda temos 23 desaparecidos", afirmou o presidente Otto Perez na capital, depois de visitar a área atingida. Ele tinha informado anteriormente sobre 39 mortos.

 

Perez disse que 39 das vítimas estavam no departamento de San Marcos, localizado na fronteira com o México e cerca de 250 quilômetros a oeste da Cidade de Guatemala. As outras nove vítimas fatais estavam em outras duas regiões.

 

Na aldeia de San Cristobal Cucho, uma família inteira de 10 pessoas morreu quando a casa em que moravam foi soterrada por um deslizamento causado pelo terremoto, informou o prefeito Pedro Cardona.

 

"A aldeia toda está de luto porque uma família inteira foi levada pela natureza de Deus," disse o prefeito a uma rede de televisão local. "O que podemos fazer?"

 

Os corpos de um casal, de seus seis filhos, que tinham entre quatro e quinze anos, e de outros dois membros da família ainda podiam ser vistos na rua à espera de caixões.

 

Cerca de 16.000 pessoas foram atingidas pelo terremoto, anunciou Perez. Várias cidades ficaram sem água potável ou eletricidade após o terremoto mais violento no país desde 1976, quando quase 23.000 pessoas perderam suas vidas.

 

As autoridades disponibilizaram 11 abrigos com capacidade para 800 pessoas.

 

A cidade de San Marcos, com casas de estilo colonial e normalmente de um único andar, ficou no escuro, enquanto a rua principal foi coberta de escombros. As casas mais antigas foram destruídas, mas as mais novas aguentaram os tremores.

 

Vários tremores secundários agitaram os moradores, que utilizaram lanternas para procurar por travesseiros e cobertores no que sobrou de suas casas, em uma tentativa de se manterem aquecidos durante a noite.

 

Equipes de resgate e moradores cavavam em meio a montanhas de areia em uma busca desesperada por sobreviventes.

 

"Nós nos sentimos impotentes diante da quantidade de areia que caiu nas pessoas e por não conseguirmos retirá-las rapidamente", disse o assistente social Alfonso, de 30 anos, à AFP. "Parece que suas mãos não vão alcançar as pessoas".

 

Ofelia Guzman, de 28 anos, ficou aliviada depois que sua mãe escapou ilesa do desmoronamento de sua casa.

 

"A casa foi destruída e todos os seus pertences se foram. Nem um copo se salvou, mas ela está bem", disse Guzman.

 

O Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o terremoto ocorreu na manhã de quarta-feira (14H35 de Brasília) ao longo da costa do Pacífico, cerca de 24 quilômetros ao sul de Champerico e 163 quilômetros ao sudoeste da Cidade de Guatemala. A profundidade foi de 41,6 quilômetros.

 

O Serviço Sismológico Mexicano relatou uma dúzia de tremores secundários.

 

O tremor foi fortemente sentido na Cidade de Guatemala e no sul do México.

 

As pessoas corriam para fora de casas, escolas e escritórios em toda a região atingida, inclusive na Cidade do México, mas a imensa metrópole de 20 milhões de habitantes não sofreu danos ou registrou vítimas. O metrô da capital suspendeu brevemente o serviço.

 

Edifícios também foram evacuados nos estados mexicanos de Oaxaca e Chiapas, no sul do país, sem relatos de danos ou vítimas.

 

"Eu tive medo. Foi horrível", disse Uvita Mena, que vive na cidade de Tuxtla Gutierrez, no estado de Chiapas.

O USGS mediu inicialmente o terremoto em 7,5 graus na escala Richter.

 

Em El Salvador, o presidente Mauricio Funes ordenou evacuações nas cidades da costa oeste após um alerta de tsunami, mas as ondas acabaram não se formando.

 

O terremoto ocorreu dois meses após um tremor de magnitude 7,6 atingir a Costa Rica, sem deixar vítimas ou feridos.

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