Publicado 05 de Novembro de 2012 - 13h02

Por France Press

Eleições americanas na reta final

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Eleições americanas na reta final

Barack Obama e Mitt Romney jogam suas últimas cartas nesta segunda-feira, último dia de campanha, depois de meses de corrida e centenas de milhões de dólares em publicidade que não garantiram a nenhum dos dois candidatos uma vantagem nas pesquisas.

 

As quatro grandes pesquisas nacionais publicadas domingo revelaram um país mais dividido do que nunca.

 

Segundo a sondagem do instituto Pew, o presidente conta com 48% das intenções de voto, contra 45% para seu rival. Mas três outras pesquisas realizadas pela Politico, NBC News/Wall Street Journal e ABC News/Washington Post apontam para uma vantagem insignificante de um ponto ou zero para o presidente.

 

O próximo ocupante da Casa Branca será realmente escolhido pelos eleitores dos 10 estados-chave, onde os dois estiveram nas últimas viagens.

 

Em alguns desses estados (Ohio, Iowa, Nevada), o mapa eleitoral é favorável ao presidente Barack Obama, mas raramente ultrapassa a margem de erro. A vantagem é muito pouca nos grandes estados da Flórida (sudeste) e Carolina do Norte (leste).

 

Nesta segunda-feira, uma pesquisa USA Today indicou um empate técnico entre os dois candidatos, com 48% dos votos cada, nos 12 estados-chave.

 

Fora as pesquisas, os dois lados estão convencidos de que a eleição será decidida por apenas alguns milhares de votos, conquistados através de milhões de visitas porta a porta e chamadas telefônicas feitas por voluntários.

 

Depois de um fim de semana infernal e dezenas de comícios eleitorais realizados coletivamente pelos candidatos e seus companheiros de chapa, os dois homens devem se cruzar nesta segunda-feira no ar perto de Columbus, no estado-chave de Ohio (norte).

 

O presidente começou seu dia em Wisconsin (norte), antes de viajar para Ohio e Iowa (centro). Depois vai aterrissar em Illinois, Chicago (norte), com sua esposa Michelle, onde aguardará os resultados da eleição na noite de terça-feira.

 

Para as dezenas de milhares de partidários presentes nos três comícios eleitorais no domingo, Obama reivindicou os progressos realizados desde 2008, "quando estivemos em meio à pior crise econômica desde a Grande Depressão".

 

"Hoje, nossas empresas criaram 5,5 milhões de empregos. A indústria automotiva está de volta. Os preços dos imóveis subiram", disse o presidente em Hollywood, Flórida (sudeste).

 

"A guerra no Iraque acabou, a guerra no Afeganistão terminou. A Al-Qaeda está em fuga e Osama bin Laden está morto", acrescentou.

 

O 44º presidente americano recebeu o apoio do 42º, o popular Bill Clinton, uma ajuda que se revelou muito importante, apesar do enfrentamento com Hillary Clinton nas primárias de 2008.

 

O ex-presidente participou de quase 30 comícios em favor de Barack Obama, que não deixa de citar como exemplo o crescimento dos anos Clinton para justificar seu programa de impostos mais altos sobre os ricos.

 

"Quando ele foi eleito, pediu que os americanos mais ricos pagassem um pouco mais para reduzir o déficit", lembrou Obama.

 

"E vocês sabem, na época, os republicanos do Congresso, e um certo candidato ao Senado chamado Mitt Romney ... disseram que o plano de Clinton prejudicaria a economia e destruiria os empregos".

 

À noite, ao lado do cantor Stevie Wonder, em Ohio, pediu aos americanos para renovar sua confiança com o pedido: "Eu não quero parar, ainda há muito a fazer."

 

Romney corteja os eleitores de centro

 

Para Mitt Romney, a estrada é reta, mas a subida é acentuada: consequência do sistema de eleição indireta que dá um peso desproporcional às regiões mais indecisas, ele deve derrotar os democratas em quase todos os 10 estados-chave para vencer Barack Obama.

 

O republicano deve concentrar os último momentos de campanha nesta segunda-feira em quatro desses estados, na Flórida, Virgínia (leste), Ohio, e, finalmente, em New Hampshire (nordeste), depois de um giro vertiginoso no domingo marcado pelo cansaço.

 

As enormes faixas com os dizeres "uma verdadeira mudança desde o primeiro dia" resume a mensagem final de Romney.

 

"O presidente é extremamente partidário, ele divide, joga a culpa sobre os outros, ele ataca. E não é só os republicanos que são ignorados, ele se recusa a ouvir as vozes dos independentes", acusou no domingo em Cleveland (Ohio) o republicano, que corteja os eleitores de centro nesta reta final.

 

"Você esperava que o presidente Obama cumprisse a promessa de reunir as pessoas para resolver os problemas, mas ele não fez isso, e eu vou fazer", prometeu.

 

Ambos os lados acreditam que a votação antecipada, que alcançou na noite de domingo 30 milhões de votos, lhe será favorável, mas nenhuma contagem acontecerá antes de terça-feira.

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