Publicado 29 de Novembro de 2012 - 16h02

Por France Press

Iraquiano observa destroços após ataque na cidade de Hilla

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Iraquiano observa destroços após ataque na cidade de Hilla

Ao menos 45 pessoas, entre elas mulheres e crianças, foram mortas e 205 ficaram feridas nesta quinta-feira (29) em atentados contra a comunidade xiita e as forças de ordem no Iraque, colocando mais uma vez em questão a capacidade do governo de garantir a segurança do país.

 

Esta é a segunda série de ataques contra xiitas em três dias. Terça-feira, pelo menos 12 pessoas morreram e 50 ficaram feridas em ataques próximos a locais de culto xiitas em Bagdá.

Na cidade de Hilla, 95 km ao sul de Bagdá, duas bombas explodiram nesta quinta na passagem de um grupo de peregrinos xiitas, matando 33 e ferindo 196 pessoas, indicaram fontes médicas e da polícia

Entre as vítimas estão duas mulheres, três crianças e dois médicos, informaram.

As forças de segurança interditaram o acesso ao local do atentado e estabeleceram barreiras em toda a cidade a fim de revistar os carros, relatou um jornalista da AFP.

Na cidade santa xiita de Kerbala, um pouco mais ao sul, um carro-bomba explodiu em uma ponte, matando cinco pessoas e ferindo outras 13, segundo um policial e um médico.

Além disso, um ataque com carro-bomba contra uma patrulha militar em Fallujah, a oeste de Bagdá, deixou três mortos entre os soldados e feriu outros três militares e quatro civis. Em Mossul, um policial e um civil morreram e dois outros policiais ficaram feridos em um atentado parecido, segundo fontes médicas e da segurança.

A cada ano, milhões de xiitas visitam Kerbala para as celebrações da Ashura, em memória ao martírio do Imã Hussein -neto do profeta Maomé, morto em 680 em Kerbala--, que terminam no domingo. Peregrinos de todo o Iraque permanecem na cidade durante os 40 dias de luto depois da Ashura.

Vigilância em baixa

Este ano, apesar da morte de três peregrinos em atentados, as celebrações têm acontecido em relativa calma, se comparado com os anos anteriores.

Mas os atentados desta semana colocam em questão a capacidade das forças de segurança de assegurar a estabilidade do país, que já tem muitas dificuldades para se reerguer em meio a um conflito interreligioso sangrento.

Os combatentes sunitas do Estado Islâmico do Iraque (ISI), braço da Al-Qaeda no país, tentam com frequência desestabilizar o governo do xiita Nuri al-Maliki, por meio de ataques violentos contra as forças de segurança e a comunidade xiita, maioria no Iraque.

"O que aconteceu é que as forças de segurança (que) estavam em seu máximo (de vigilância) e de mobilização", durante a Ashura, mas baixaram a guarda após as celebrações, considerou Ali al -Haidari, especialista iraquiano em segurança e estratégia.

"As forças de segurança ficam geralmente cansadas depois de tais ocasiões, o que traz benefícios para os inimigos. Soma-se a isso a falta de tecnologia moderna para poder detectar explosivos", acrescentou.

A violência no Iraque é quase diária, apesar da diminuição drástica desde o conflito sectário de 2006-2008.

Os Estados Unidos retiraram em dezembro de 2011 seus últimos soldados do Iraque depois de uma presença de quase nove anos. Os americanos invadiram o país em 2003 e derrubaram o presidente Saddam Hussein.

Os atentados desta quinta-feira elevam a 152 o número de mortos em meio à violência no Iraque desde o início de novembro, segundo contas da AFP.

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