Publicado 28 de Novembro de 2012 - 20h31

Por France Press

Dilma Rousseff abraça Cristina Kirchner durante o  fórum de industriais, na Argentina

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Dilma Rousseff abraça Cristina Kirchner durante o fórum de industriais, na Argentina

Brasil e Argentina devem ampliar suas relações e construir uma das alianças mais importantes do mundo, afirmou nesta quarta-feira (28) a presidente brasileira, Dilma Rousseff, no maior fórum de industriais reunido em Campana, a 61 quilômetros a noroeste de Buenos Aires.

"Não podemos obter um equilíbrio reduzindo nossas relações, mas sim ampliando-as",disse Rousseff, na presença da presidente Cristina Kirchner, com quem almoçará em breve, constatou um jornalista da AFP. "Jamais podemos considerar a possibilidade de menos integração porque seria um erro histórico imperdoável".

 

Ao discursar na cerimônia de encerramento da 18ª Conferência da União Industrial Argentina (UIA), Dilma pediu "uma integração entre dois países com riquezas naturais e líderes na produção de alimentos e recursos energéticos".

A presidente disse: "Não podemos negar o impacto adverso das restrições administrativas, mas em grande medida, os números de 2012 refletem a redução da atividade produtiva não só no Brasil e na Argentina, mas também no resto do mundo".

Em resposta ao comentário sobre as restrições, Kirchner disse ter conversado "com autoridades para que os mecanismos (comerciais) não sejam burocráticos e que as políticas de consulta sejam mais rápidas".

Rousseff disse que o processo integrador pode ser realizado "sem estar dedicado apenas a 'commodities' já que há potencial para indústrias de desenvolvimento. Somos países amigos, democráticos e irmãos", pontuou.

Na terça-feira, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) brasileira, Robson Braga de Andrade, tinha pedido à Argentina para evitar o aumento do controle de importações "através do aprofundamento do diálogo institucional e da cooperação", se referindo às restrições impostas por Kirchner ao comércio.

Kirchner estabeleceu em 2011 uma série de controles e licenças não automáticas que travaram as compras externas, inclusive de seus sócios do Mercosul, com o argumento de que o país não tem dólares suficientes e precisa substituir importações.

Kirchner disse: "É preciso criar defesas frente à crise mundial e à integração, é um mecanismo de defesa que temos que construir entre a Argentina e o Brasil para amenizar as tragédias de outras sociedades".

Dilma também se referiu ao assunto, ao afirmar que "a ação de ambos os governos ainda é mais urgente frente à crise econômica global".

"Esta crise tem o poder de afetar todo o planeta. Pela terrível experiência dos ajustes recessivos nos anos 80 e 90 tivemos duas décadas perdidas de desenvolvimento", disse a chefe de Estado brasileira.

"Temos maturidade política e econômica para cooperar com um quadro internacional que nos impõem".

"O retorno da democracia a nossos países enterrou as rivalidades do passado, já que a Argentina e o Brasil são sócios comerciais de primeiro nível e investidores de peso, e, por isso, é preciso trabalhar com mentalidade de negócios binacional", pediu.

Segundo Rousseff, "os dois país têm que se ver mais como sócios de um grande empreendimento binacional, pois há dez anos o comércio não superava os 7 bilhões de dólares e, em 2011, chegamos a 40 bilhões de dólares".

"Este ano chegaremos talvez a 34 bilhões de dólares, o segundo melhor desempenho de nossa história. Devemos reduzir as assimetrias comerciais e buscar uma relação que supere o marco do comércio e se transforme em uma relação comercial produtiva", disse.

Industriais brasileiros se queixaram diversas vezes no último ano das licenças não automáticas impostas pela Argentina, que teve até o ano passado uma forte fuga de capitais, segundo o Banco Central, até que estabeleceu duras restrições cambiais e comerciais.

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