Publicado 27 de Novembro de 2012 - 6h33

Por France Press

Como os restos mortais não foram retirados do túmulo, a cerimônia militar de exumação que estava prevista foi cancelada

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Como os restos mortais não foram retirados do túmulo, a cerimônia militar de exumação que estava prevista foi cancelada

O túmulo de Yasser Arafat foi aberto nesta terça-feira por algumas horas, o tempo necessário para extrair amostras de seu corpo, que foram entregues a especialistas internacionais responsáveis por tentar determinar se o líder histórico palestino foi envenenado.

 

A operação, que se inscreve no âmbito de uma investigação judicial francesa por assassinato, começou às 05h00 locais (01h00 de Brasília) e terminou durante a manhã, quando o túmulo foi fechado novamente.

 

"Todo o procedimento terminou. As amostras foram obtidas sem tirar os restos do túmulo e foram entregues aos especialistas franceses, suíços e russos", declarou em um comunicado Taufiq Tiraui, presidente da comissão de investigação palestina sobre a morte de Arafat.

 

Uma fonte palestina havia indicado anteriormente que os restos foram levados a uma mesquita adjacente ao mausoléu, mas, segundo Tiraui, os especialistas decidiram "de comum acordo" realizar a operação no próprio local.

Como os restos mortais não foram retirados do túmulo, a cerimônia militar de exumação que estava prevista foi cancelada, segundo Tiraui, que anunciou uma coletiva de imprensa para a tarde.

 

Três juízes franceses encarregados de uma investigação por assassinato, após a denúncia da viúva de Arafat, Suha, assistiram ao procedimento, na presença da autoridade islâmica palestina de mais alto escalão, o mufti de Jerusalém, Mohamed Hussein.

 

O silêncio reinava em torno desta exumação de grande significado simbólico e político.

 

O acesso à Muqata, a sede da presidência da Autoridade Palestina em Ramallah (Cisjordânia), onde o túmulo se encontra, foi fechado à imprensa.

 

Uma ambulância estava estacionada no complexo e foram vistos especialistas vestidos com roupas brancas nas imediações do mausoléu.

 

Perto do meio-dia, os toldos de plástico azul que ocultavam o mausoléu há 15 dias foram retiradas.

 

Os especialistas internacionais devem tentar determinar se o líder palestino foi envenenado com polônio, hipótese que voltou a ganhar espaço após a divulgação em julho de um documentário da rede de televisão do Qatar Al-Jazeera, que revelou a presença de restos desta substância em objetos pessoais de Arafat.

 

Yasser Arafat morreu aos 75 anos no dia 11 de novembro de 2004 em um hospital militar perto de Paris, para onde foi levado com autorização de Israel, que há mais de dois o sitiava no interior da Muqata, a sede do governo da Autoridade Palestina.

Muitos palestinos acusam Israel de tê-lo envenenado, o que o Estado hebreu sempre negou.

 

"Estamos convencidos de que os israelenses assassinaram o presidente Arafat", afirmou recentemente Taufiq Tiraui, presidente da comissão de investigação palestina sobre a morte de Arafat.

 

"Yasser Arafat faleceu em um hospital francês, todos os elementos se encontram em seu prontuário médico. Basta consultá-lo", respondeu no domingo o porta-voz do ministério israelense das Relações Exteriores, Yigal Palmor.

 

O boletim médico que foi publicado pela Fundação Yasser Arafat em seu site www.yasserarafat.ps não fornece informações decisivas.

 

A exumação também provocou tensões familiares e a oposição do sobrinho de Yasser Arafat, Nasser al-Qidwa.

 

Convencido de que seu tio morreu envenenado por Israel, se pergunta sobre a lógica da exumação e critica uma profanação. "Não sairá nada bom de tudo isso, não fará nenhum bem aos palestinos", declarou recentemente à AFP.

 

A viúva de Arafat considerou que se trata de uma "prova dolorosa, mas necessária".

 

Segundo especialistas, as análises levarão várias semanas. Mas mesmo se forem encontrados rastros de polônio - substância radioativa altamente tóxica - não será fácil provar que ela foi administrada por via humana, segundo um funcionário do Instituto francês de proteção radiológica e segurança nuclear (IRSN).

Alegações de envenenamento de Arafat  

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