Publicado 24 de Novembro de 2012 - 13h41

Por France Press

O sul de Damasco seguia imerso neste sábado em violentos combates e bombardeios, em um momento no qual o chefe do Parlamento do Irã, grande aliado do regime sírio, viaja à Turquia, país que pediu à Otan o envio mísseis Patriot para sua fronteira com a Síria.

Após uma noite de combates, Qadam e Tadamun, dois bairros pobres do sul de Damasco onde os rebeldes tentam tomar a capital, continuavam sendo palco de enfrentamentos e disparos, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Também na outra grande cidade do país, Aleppo (norte) -- ainda objeto de disputa após cinco meses de guerrilha urbana - têm sido realizados violentos combates, segundo a OSDH, uma ONG com sede na Grã-Bretanha, e que recorre para suas informações a uma rede de militantes e médicos na Síria.

Na sexta-feira, uma centena de pessoas morreu pelos enfrentamentos no país, onde o conflito já deixou, segundo esta ONGm, mais de 40.000 mortos em 20 meses.

Nas últimas semanas, os rebeldes ganharam terreno no leste, expulsando o exército de um importante setor próximo ao Iraque, onde controlam uma ampla zona igualmente próxima à fronteira com a Turquia nas províncias de Aleppo e Idleb.

No plano diplomático, o chefe do Parlamento iraniano, Ali Larijani, é esperado na Turquia, um dia depois de ter se encontrado com o presidente sírio Bashar Al-Assad em Damasco.

Damasco e seus dois principais aliados russo e iraniano condenaram duramente na sexta-feira uma eventual instalação de mísseis Patriot na Turquia perto do território sírio, mas a Otan garantiu que se trata de uma medida "unicamente defensiva".

Em visita a Damasco, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, alertou a oposição síria, assim como Qatar e Arábia Saudita, para qualquer ação "aventureira" na Síria, onde os rebeldes islamitas e combatentes curdos se preparavam para uma guerra aberta no norte do país.

Reagindo pela primeira vez ao pedido turco feito à Otan para que a organização desloque mísseis Patriot, Damasco considerou que Ancara é responsável "pela militarização da situação na fronteira", acusando seu vizinho "de armar, treinar e infiltrar milhares de terroristas" em seu território.

Esse deslocamento de mísseis também suscitou o descontentamento da Rússia. "Quanto mais armas acumulamos, maior o risco de elas serem utilizadas", considerou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

O Irã seguiu no mesmo sentido. "Esta ajuda não resolve a situação na Síria, mas só a agrava ainda mais", declarou o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Ramon Mehmanparast.

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