Publicado 08 de Novembro de 2012 - 22h30

O jornalista Henrique Nunes

Cedoc/RAC

O jornalista Henrique Nunes

Mal acabara o primeiro copo de cerveja quando o Lemão, famoso boleiro lá do bairro, abordou-me com dois tapinhas nas costas. "E aí, quanto acabou o jogo?". "Perdemos", respondi, ainda engasgado com a notícia.

Passamos a discutir as razões de tamanha derrota que, diga-se, já estava anunciada pela campanha da equipe rival, muito superior tática e tecnicamente. Teria sido o fator emocional? Faltou garra durante os confrontos? Havia como segurar o forte ataque adversário?

O papo descia goela abaixo enquanto a rapaziada se aglomerava à nossa volta no balcão. Discutíamos sem levantar a voz e até com certo orgulho mesmo no tropeço confirmado na noite de quarta-feira (07/11). Tudo dentro dos conformes, como gosta de dizer o pessoal do bairro, não fosse o tema em pauta o jogo entre Osasco e Campinas pela final do Campeonato Paulista de Vôlei Feminino. Isso mesmo. Os machos autênticos, legítimos brucutus de alambrado, renderam-se desavergonhadamente à beleza da equipe representante da cidade. Se o futebol local não anda lá mil maravilhas, por quê não trocar o campo e as chuteiras por quadra e shortinhos?

Hei, calma aí, não quero parecer um machista sem coração, impiedoso com o talento e esforço das comandadas do Zé Roberto. Até porque, por dever de ofício, bati ponto semanalmente nos treinos da equipe durante a competição. E olhem só: passei a enxergar a modalidade com olhos menos, digamos, estético. Não que Natasha, Pri Daroit, Renata e Fernandinha não tenham feito minha caneta trepidar no bloco de notas além da conta. Mas, sabe como é, a gente tem que mostrar seriedade e tal e o tempo me colocou de volta no banco da escola para aprender mais sobre o esporte. Dá para sacar, por exemplo, que a derrota na quarta-feira não despertou lágrimas em nenhuma delas. Ao reconhecer a superioridade do time de Osasco, as meninas do Vôlei Amil saíram de quadra de cabeça erguida. De quebra, ensinaram aos torcedores de futebol que vice-campeonato também deve ser reconhecido — ainda mais quando é fruto de um projeto novo e que pode, sim, ser campeão no futuro.

Quando eu e a rapaziada lá do bairro paramos para discutir uma partida de vôlei é sinal de que coisa toda caiu mesmo no gosto da cidade. E quem foi a algum jogo na Arena Amil sabe que não estou blefando: além de estrutura invejável, cada jogo era um evento feito para a família toda. Sou um cara do futebol, mas tenho o coração grande: a partir de agora, torcerei com orgulho para as meninas do vôlei campineiro.