Publicado 29 de Novembro de 2012 - 11h01

Por Agência Estado

A CBF apostou em um velho conhecido para contornar o momento conturbado que vive a seleção brasileira. Luiz Felipe Scolari volta a comandar a equipe mais de dez anos depois de sua última partida como técnico do Brasil, na vitória sobre a Alemanha, por 2 a 0, que garantiu o título da Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul, no dia 30 de junho de 2002.

 

Na primeira passagem, Felipão esteve à frente da seleção em 24 partidas, nas quais acumulou 18 vitórias, um empate e cinco derrotas. Na época, ele também precisou estabilizar a equipe, que atravessava uma péssima fase e se via ameaçada de não ir para o Mundial de 2002. Vanderlei Luxemburgo havia sido o primeiro técnico do ciclo depois da Copa de 1998, na França, e após bom início, com o título da Copa América de 1999, caiu com o fracasso na Olimpíada de Sydney, no ano seguinte.

 

Sob desconfiança da torcida assumiu Emerson Leão, que nunca conseguiu se firmar e também acabou demitido após a Copa das Confederações de 2001. Foi então que a CBF decidiu apostar em Scolari, anunciado no dia 12 de junho daquele ano. Em um de seus primeiros desafios, o treinador viu a seleção cair de forma vexatória nas quartas de final da Copa América, quando foi derrotada por 2 a 0 diante de Honduras.

 

Mas a principal meta de Felipão era classificar o País para a Copa do Mundo. Sua estreia também não foi boa, o Brasil perdeu para o Uruguai por 1 a 0 e a instabilidade continuou. Nos quatro jogos seguintes das Eliminatórias, duas vitórias (contra Paraguai e Chile) e duas derrotas (diante de Argentina e Bolívia). Até que a esperada vaga no Mundial foi garantida com o triunfo por 3 a 0 sobre a Venezuela, no dia 14 de novembro.

 

Apesar da classificação, Felipão seguia criticado e a pressão aumentou quando ele anunciou a lista para a Copa sem Romário. Foi então que o treinador fechou o grupo, criou a "Família Scolari" e apostou na união para conquistar o penta. As boas atuações de Marcos, Rivaldo e Ronaldo foram fundamentais e a seleção voltou para casa com o troféu.

 

Da equipe brasileira, Felipão rumou para a seleção portuguesa, com a qual conseguiu o vice na Eurocopa de 2004, em Portugal, uma quarta colocação na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e caiu nas quartas de final da Eurocopa de 2008. Prestigiado, o treinador foi para o milionário Chelsea, mas teve problemas de relacionamento com os jogadores e acabou fracassando. Atraído por milhões de dólares, ele decidiu se arriscar no desconhecido futebol do Usbequistão, no Bunyodkor, e de lá só saiu no ano seguinte, quando assumiu o Palmeiras.

 

Felipão levou a equipe paulista a um título nacional neste ano, com a conquista da Copa do Brasil, mas não resistiu aos maus resultados no Campeonato Brasileiro e acabou demitido. Nem mesmo a mancha por ter sido um dos responsáveis pelo rebaixamento do Palmeiras à Série B de 2013 impediu que a CBF apostasse nele.

 

A contratação de ex-campeões mundiais parece ser um critério adotado pela entidade para definir os técnicos do Brasil. Com o retorno de Felipão, todos os cinco treinadores campeões do mundo (os outros foram Vicente Feola, em 1958; Aymoré Moreira, em 1962; Zagallo, em 1970; e Carlos Alberto Parreira, em 1994) tiveram novas oportunidades no comando da seleção após conseguiram o título.

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