Publicado 28 de Novembro de 2012 - 22h03

Por Carlos Rodrigues

Torcendo pela recuperação do Guarani, Amoroso (à esq.) e Júnior dão sua primeira contribuição: dupla comprou títulos do clube

Elcio Alves/AAN

Torcendo pela recuperação do Guarani, Amoroso (à esq.) e Júnior dão sua primeira contribuição: dupla comprou títulos do clube

Duas figuras ilustres que representam o Guarani deram, nesta quarta-feira (28/11), o pontapé inicial em uma campanha de venda de títulos patrimoniais que será lançada oficialmente em breve. O ex-jogador Amoroso, ídolo bugrino, e Arthur Antunes Coimbra Júnior, filho de Zico e torcedor declarado do clube, são os mais novos associados do Bugre.

Para Júnior, que mora fora do País, mas sempre está atento ao que acontece com o time do coração, é uma oportunidade de se aproximar um pouco mais do clube. “Eu frequentava muito o clube na época em que o presidente era o Beto Zini. Depois fiquei muito afastado e era difícil comprar o título. Hoje é uma felicidade muito grande estar aqui”, afirmou.

Ciente da situação complicada vivida pelo clube, Júnior pede união. "Estou vendo o momento muito complicado. Não me lembro de uma equipe em dez anos ter tanto rebaixamento assim. Quando o time voltou para a Série A (em 2010), a gente pensava que as coisas iriam mudar e parece que a mesma mentalidade que era usada voltou a ser aplicada”, lamentou. “É o momento de todo mundo esquecer as picuinhas e se unir ou será muito complicado o Guarani sair dessa situação. É preciso que haja pessoas competentes para recolocar o Guarani no lugar que não deveria ter saído” , frisou.

Amoroso comemora a realização de um sonho antigo. “É algo que eu sempre busquei há muitos anos e nunca foi atendido. Os verdadeiros bugrinos são os que estão aqui dando a cara e tentando ajudar o clube a sair dessa situação. Estaremos sempre presente, seja nos momentos bons ou nos momentos ruins”, explicou.

O ídolo alviverde confirmou que há uma proposta para que ele faça um trabalho nas categorias de base ao lado de outros ex-jogadores. “Conversando com membros do Conselho Deliberativo, passei meu pensamento de como acho que o departamento amador deve trabalhar para que volte a se desenvolver e revele jogadores que saiam da base para o profissional e não direto para outros clubes como aconteceu nesses anos.”

“Ainda não decidimos como será essa situação, teremos ainda algumas conversas. Vou dar meu auxílio no que for preciso porque gosto muito do Guarani, foi aqui que me criei e aprendi princípios que me levaram a ter sucesso na minha carreira”, disse Amoroso. “É isso que eu gostaria de passar aos meninos que estão aqui e aos que vão chegar. Está na mão da diretoria. Eles vão decidir o que acharem melhor. Espero que dê certo”, concluiu o ídolo.

CARGO DIRETIVO

Com os títulos de sócios patrimoniais nas mãos, Amoroso e Júnior podem, após um ano, concorrer a um cargo diretivo no clube. Mas isso não é algo que passa na cabeça dos dois, pelo menos por enquanto. Utilizando o exemplo de Zico, que foi diretor executivo do Flamengo e renunciou pouco tempo depois por conta de pressões sofridas dentro do clube, Júnior se esquiva. “É complicado quando você torce ou é muito ligado ao clube. Tenho o exemplo em casa. Disse a meu pai que era contra ele assumir qualquer cargo no Flamengo. Falei a ele que provavelmente não aguentaria um ano. E aguentou três, quatro meses”, revela.

Para o futuro, no entanto, ele não descarta a hipótese. “Quem sabe um dia mais para a frente. Somos pessoas públicas que viajaram o mundo. O Amoroso pôde acompanhar as gestões na Europa, eu estive no Japão e sei a diferença de como se comanda um clube lá e um no Brasil. Se for para o bem do Guarani, quem sabe um dia a gente não possa concorrer.”

No caso de Amoroso, o receio é com respeito ao status que conquistou como jogador. “Quando se fala em cargo, minha maior precaução é poder preservar uma imagem que eu criei perante essa nação alviverde, que sempre me viu como ídolo. E às vezes, indiretamente, você pode contribuir muito mais do que tendo um cargo como diretor. Acho muito precoce essa possibilidade de eu ter um cargo diretivo no Guarani. Vou me preparar para que um dia isso possa acontecer.”

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Carlos Rodrigues