Publicado 28 de Novembro de 2012 - 14h58

Por France Press

Para tentar afastar os temores em relação à segurança de eventos capazes de reunir multidões, as autoridades do Brasil já asseguram que a segurança da Copa das Confederações de junho de 2013 e do Mundial-2014 está garantida graças ao seu plano estratégico, que segue as exigências da Fifa. Lançado no final de agosto, o plano designa as zonas que serão protegidas, organiza a coordenação das diferentes forças policiais e das forças armadas, e define os principais riscos: torcedores violentos, crime organizado, ameaça terrorista.

 

"A Copa do Mundo da Fifa, no Brasil em 2014, requer as maiores operações de segurança em nível internacional. Nosso objetivo é que não haja problema algum para que todos possam desfrutar da festa", disse à AFP Valdinho Jacinto Caetano, secretário extraordinário do Ministério da Justiça para grandes eventos.

 

Ele explicou que foram definidos três grandes eixos de ação: ameaças externas; proteção de portos, aeroportos e fronteiras; e ameaças internas, em quatro níveis: aéreo, terrestre, marítimo e cibernético.

 

As principais medidas serão adotadas nas seis cidades que receberão as partidas da Copa das Confederações e nas 12 cidades-sede do Mundial, assim como nas comunidades vizinhas.

 

A taxa média de homicídios no Brasil ainda é uma das mais elevadas do mundo, com 25 mortos para cada 100.000 habitantes, mas o país não enfrenta problemas com terrorismo.

 

"O pior cenário para uma Copa do Mundo é um ataque terrorista", ressalta o texto do plano estratégico.

 

"Não podemos descartar um ato terrorista, algumas seleções podem ser alvos, mas o Brasil não é um país onde haja terrorismo", declarou à AFP Ignacio Cano, especialista em violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

 

Caetano explicou que a segurança nos aeroportos e portos "já está sendo reforçada", porque o país receberá em 2013 a Copa das Confederações e a visita do papa Benito XVI ao Rio. No Brasil, os militares são aqueles que vigiam as fronteiras terrestres e marítimas.

 

As autoridades brasileiras se mostram tranquilas e afirmam que a conferência mundial da ONU sobre desenvolvimento sustentável Rio+20, em junho, já serviu de teste.

 

Ao contrário da Cúpula da Terra realizada no Rio em 1992, quando a taxa de homicídios era de 64,5 para cada 100.000 habitantes, não havia tanques apontando para as favelas.

 

"Uma cidade segura é uma cidade que é capaz de receber grandes eventos com total tranquilidade. Desde 2008 temos superado grandes desafios com a pacificação das favelas" e a expulsão dos traficantes que controlaram essas comunidades pobres durante 30 anos, afirmou o subsecretário de grandes eventos e comissário federal do Rio, Roberto Alzir.

 

Drones

 

A segurança no Rio será reforçada também "por três drones (aviões não tripulados) denominados 'Vants', desenvolvidos pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Serão utilizados para detectar eventuais riscos de deslizamento de terra" em caso de fortes chuvas e não para vigiar as favelas, como dizem alguns, esclareceu Alzir.

 

Os policiais, com uma triste reputação de serem violentos e corruptos, "portarão armas menos letais, como pistolas elétricas e sprays de gás de pimenta. Estão recebendo um treinamento especial", acrescentou.

 

Cano destacou que "o Brasil tem experiência em organizar megaeventos", e considerou que não será difícil garantir a segurança da Copa do Mundo de 2014.

 

"Nenhum setor social tem interesse em arruinar a festa. Até o crime organizado obtém ganhos durante os grandes eventos", ressaltou.

 

O maior desafio, considerou, é "aproveitar este momento para melhorar a longo prazo a segurança pública nas cidades-sede e em suas regiões metropolitanas".

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