Publicado 24 de Novembro de 2012 - 21h29

Tristeza serve de exemplo para o sentimento geral dos bugrinos

Leandro Ferreira/AAN

Tristeza serve de exemplo para o sentimento geral dos bugrinos

Os bugrinos fizeram a sua parte: compareceram em peso, neste sábado (24/11), ao Estádio Brinco de Ouro, com todo o otimismo que poderiam levar, e esperaram ansiosos para ter todo esse empenho retribuído pelo time. Isso, infelizmente para os torcedores, não aconteceu. Mesmo dependendo exclusivamente dele, o Guarani não conseguiu escapar do oitavo rebaixamento desde 2001 e disputará no próximo ano a Série C do Campeonato Brasileiro.

A animada festa que agitou o entorno do estádio nos momentos que antecederam a partida, com filas para comprar ingresso até mesmo depois do apito inicial, transformou-se em choradeira e xingamentos, antes mesmo do término do jogo e da confirmação da derrota por 2 a 1 para o São Caetano.

O clima começou a ficar pesado já na hora do intervalo, quando o placar não tinha sido aberto. Torcedores que estavam no tobogã atiraram bombas em outros setores do Brinco e a Polícia Militar (PM) precisou intervir.

Uma confronto envolvendo cerca de 150 pessoas, entre PM e público, tomou conta do pequeno espaço que dá acesso às escadas do tobogã. Houve pancadaria e correria, muitas famílias, inclusive com crianças pequenas, tentaram sair do estádio durante a confusão, mas a polícia não deixou o tumulto se espalhar e evitou que chegasse até as outras escadas do setor e gerasse ainda mais briga. Os torcedores voltaram para a arquibancada e a situação se acalmou.

Quando o São Caetano fez o primeiro gol, muitos alviverdes levantaram o acampamento e foram para casa, aos prantos. "Não dá para aguentar isso. Timinho que não serve pra nada" , esbravejou o empresário Carlos Costa do Nascimento, de 37 anos. Com o rebaixamento cada vez mais perto, a PM começou a retirar das proximidades tudo que poderia ser usado na saída em um confronto, como grades e cavaletes, mas a atmosfera do local era de completa desolação e os torcedores preferiram apenas ir embora.

"Se você não tem vontade de ganhar, então não ganha mesmo. Tentar resolver a situação no último momento é pedir para acontecer isso. Não teve raça, não teve amor à camisa. Terminaram o jogo como se fosse só mais uma derrota. Para nós, que sofremos, é tentar erguer a cabeça e seguir em frente", lamentou o securitário Alexandre Lopes de Lima, de 34 anos.

Já para o torneiro ferramenteiro Élcio Sanches, de 47 anos, que assistiu à partida acompanhado da mulher Renata Sanches e da filha Gabriela, a situação é vergonhosa. "O time já é medíocre, e ainda joga com má vontade, tem que ir para terceira divisão mesmo. Nós, torcedores, acreditamos até o fim, mas a realidade bate na nossa cara e percebemos que não há jogadores decentes, não tem diretoria, não tem patrocinador, não tem nada."