Publicado 24 de Novembro de 2012 - 20h44

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

O Guarani está de volta à Série C, em mais um golpe duríssimo para um clube que, no meio de uma complexa transição política, tem perspectivas sombrias para os próximos meses, para os próximos campeonatos e para as próximas temporadas.

E vai chegar o dia em que não sobrará mais nada, nem perspectiva, nem futuro, se o Guarani não enfrentar com seriedade e extrema dedicação o problema que gera tantos fracassos, tantos rebaixamentos, tanto sofrimento para a torcida.

A dívida existe, é enorme e durante anos foi alimentada por sucessivas decisões administrativas irresponsáveis e danosas. Está cada vez mais evidente que não adianta ignorar o problema e tentar driblar a Justiça com manobras de todo tipo.

Ao contrário de outros clubes que também devem milhões, o Guarani não tem fontes permanentes de receita e nem a capacidade de captar grandes recursos. Se isso não mudar, o clube começará a perder seu patrimônio e tudo ficará ainda mais difícil.

A próxima diretoria tem um desafio gigantesco pela frente. Disputar a Série C será terrível, mas é preciso ter consciência que esse não é o maior problema. Se não for capaz de descobrir uma fórmula para equilibrar suas finanças, negociar suas dívidas e preservar seu patrimônio, o Guarani, que vai disputar a Série C pela terceira vez em um intervalo de sete anos, logo estará flertando com a quarta divisão ou com a paralisação temporária de suas atividades.

Essa é a realidade e negá-la só vai piorar as coisas. Um clube que troca de presidente com frequência, que é gerenciado às escuras e que caiu inacreditáveis oito vezes desde 2001 precisa perceber que o modelo atual é um desastre.

O Guarani precisa urgentemente de uma diretoria capaz de enfrentar o monstro. Não se faz isso em pouco tempo. Não se faz isso sozinho. É coisa para muitos anos de trabalho competente e não de políticas que tentam varrer todo esse o lixo acumulado em tantos anos para debaixo do tapete.

No dia que conseguir negociar sua dívida e trabalhar sem ter que esconder seus recursos da Justiça, o Guarani também terá tempo para exigir competitividade e comprometimento de seus profissionais. Tudo passa pela dívida. A nova diretoria precisa reconhecer esse adversário perigoso e começar a trabalhar para virar essa partida. Não são novos rebaixamentos e acessos que estão em jogo. O que está em risco é o futuro do Guarani Futebol Clube. Mãos à obra, nova diretoria.