Publicado 08 de Novembro de 2012 - 7h54

O combate ao crime é hoje uma das principais preocupações da sociedade que, no seu limite de tolerância, passa a exigir a resposta do Estado à situação de instabilidade social e escalada da violência que vitima inocentes e põe em risco todo e qualquer cidadão. A falta de investimentos, de uma estrutura condizente com as verdadeiras necessidades e de uma política ajustada faz com que permaneça a sensação de insegurança, de vulnerabilidade da população, que assiste quedada ao crescimento da criminalidade e da impunidade.

O combate ao crime depende de uma conjunção de fatores que precisam ser bem administrados, na medida da aplicação inteligente dos recursos disponíveis, identificando pontos convergentes e otimizando as ações. Por muito tempo desfilaram propostas alternativas de enfrentamento do crime, cada qual voltada a um propósito específico, mal definidas as atribuições de cada força. A histórica separação das forças de segurança, que alija o policiamento preventivo e ostensivo da polícia judiciária, apenas aprofundou o abismo da falta de diálogo e, por vezes, alimenta o antagonismo.

São Paulo vive um momento especial de exacerbação da violência, com um conflito deflagrado entre as forças policiais e o crime organizado. A tensão é evidente e não basta negar a existência de facções ou centrais de controle da criminalidade. O Estado deve se mostrar forte e presente, garantindo a segurança da sociedade e a proteção de seus agentes envolvidos. Não pode vergar a ameaças e a riscos impostos por criminosos. E deve lançar mão de todos os recursos possíveis, principalmente todo tipo de cooperação disponível.

Assim, é muito bem-vinda a criação de uma agência para o combate ao crime em São Paulo, unindo recursos dos governos federal e estadual. Nem mesmo a reticência inicial à proposta deve limitar o alcance esperado. A transferência de líderes criminosos para penitenciárias de segurança máxima, o reforço de policiamento e as medidas de aprofundamento da comunicação entre todos os setores envolvidos criam uma malha importante de inteligência que permite abafar o levante de grupos criminosos. Isso é o mínimo que se espera e que sirva de parâmetro para uma integração tardia e extremamente necessária para resgatar o padrão de segurança indispensável. O Estado não pode vacilar nem tergiversar.