Publicado 30 de Novembro de 2012 - 5h00

Por Correio

A aplicação de tecnologia de ponta nos modelos práticos de gestão das cidades é uma necessidade imperiosa que precisa entrar definitivamente na agenda dos administradores. Não é possível planejar com os conceitos e métodos do passado, sem a renovação que está disponível em todas as áreas. Os desafios se multiplicam e são indispensáveis novas abordagens para velhos problemas, como forma de otimizar resultados, estreitar prazos e reduzir custos.

A intenção anunciada do prefeito eleito Jonas Donizette de implantar em Campinas um sistema subterrâneo de coleta automática de lixo é um passo importante no sentido de equacionar um dos graves problemas do município. A falta de espaço e a inconveniência dos aterros sanitários torna a opção mais realista, ainda que os altos custos demandem um planejamento cuidadoso e investimentos altos no setor. Barcelona é uma das 150 cidades no mundo onde o sistema está sendo implantado com sucesso e é nesta experiência que o futuro prefeito quer se espelhar (Correio Popular, 28/11, A4). Na Espanha, o projeto está sendo implantado há 20 anos e Barcelona terá 100% da coleta de lixo automatizada até 2020.

É justamente nos sistemas de coleta e destinação do lixo doméstico que estão os maiores gargalos do saneamento. São toneladas diárias carregadas em caminhões e jogadas em terrenos adaptados, sem um trabalho de reciclagem que evite o desperdício de materiais, a um custo gigantesco. Investir em alternativas com tecnologia avançadas e buscar soluções mais higiênicas é uma medida tardia, se consideradas as dimensões das grandes cidades. O novo sistema incorpora os aspectos de higiene ambiental, que podem resultar em cidades mais limpas e organizadas.

Se o custo de implantação do sistema parece proibitivo, é preciso confrontá-lo com a cifra generosa que é paga pelo sistema ortodoxo de arrastar o lixo pela cidade e o quanto será pago pela manutenção, comprovadamente mais baixa. Resta avaliar se a intenção tem alguma chance de prosperar entre tantos problemas acumulados no município.

Esta incorporação de tecnologia deve ser estendida a todos os setores, especialmente os públicos, atendendo às demandas sociais e antecipando as soluções que, com certeza, não virão mais de opções ultrapassadas e de custo cada vez mais elevado. É preciso sensibilidade, competência e honesta disposição de sair dos projetos que se amontoam nos escaninhos da burocracia.

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