Publicado 25 de Novembro de 2012 - 21h34

A preocupação com o meio ambiente é atualmente muito mais que uma bandeira ideológica desfraldada em defesa da natureza. É hoje uma intrincada questão técnica e econômica, de profundas implicações na capacidade de desenvolvimento das nações e na distribuição de riquezas. Preservar o ambiente é uma causa que implica em abrir mão de recursos e assumir uma responsabilidade em curto prazo para evitar o desastre em futuro não muito distante.

A partir de hoje, perto de 190 nações de todo o mundo abrem mais uma rodada de negociações para tentar um consenso sobre um protocolo que delineie a possibilidade de se estabelecer limites para o desenvolvimento econômico que não venha acompanhado da necessária compensação ambiental. Em Doha, até 7 de dezembro, lideranças tentarão aprofundar os debates e criar os termos do Ato II do Protocolo de Kyoto, avançando nos termos da proposta lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995. Hoje, o grande apelo é o controle da emissão de gases do efeito estufa, que tem como maiores poluidores a China e os Estados Unidos, não por acaso um dos que se recusaram a assinar qualquer compromisso de limitar a atividade produtiva.

Para os pessimistas, o que se antecipa é mais uma frustração que não trará efetivos avanços para o estado calamitoso do planeta, sufocado pelas intervenções irresponsáveis do homem, mesmo que isso sinalize para uma autodestruição. Mas há quem sustente que a simples disposição de se colocar à mesa as urgências dos projetos de sustentabilidade já significa um elo de esperança de que, um dia, as nações deverão se curvar às demandas ambientais e adotar providências para frear os abusos e avanços contra os recursos naturais.

As demandas são enormes, especialmente se contrapostas com a dificuldade de cada país destinar recursos e condições para a causa ambiental. É preciso que os maiores países assumam a responsabilidade principal, até porque são os maiores agressores ao ambiente. Pregam a conservação das florestas tropicais quando semearam desertos por onde passaram, e agora cobram a fatura dos mais fracos. Enquanto isso, os mais pobres lutam contra as desigualdades sociais e a necessidade premente de promover o desenvolvimento, e se deparam com o encargo de limitar a emissão de gases poluentes, mas sem força política para impor condições mais favoráveis para a atividade produtiva. Este é o principal desafio que começa a ser debatido a partir de hoje.