Publicado 24 de Novembro de 2012 - 21h23

A questão da cobrança de pedágios nas estradas paulistas é um dos mais controversos assuntos com que os políticos não sabem lidar. A conveniência do sistema aliada às claras distorções põem em xeque a capacidade administrativa dos governos tucanos, que demonstraram visão no sentido de implementarem a infraestrutura indispensável para o ritmo de desenvolvimento do Estado, esquecendo-se de promover os ajustes necessários para não acumularem tantos problemas como os atuais.

A cobrança de uma tarifa abusiva no pequeno trecho entre Campinas e Jaguariúna é a mais evidente distorção perceptível, a que se juntam os trechos urbanos que penalizam as populações das cidades que estão no entorno das praças de arrecadação. O problema é perceptível e o próprio governo vem tentando disfarçar a responsabilidade sobre a cobrança exagerada. Em períodos eleitorais, os anúncios de providências mais parecem desculpas para antecipar aos cidadãos que há, sim, formas de resolver as pendências, mas ao longo do tempo, tudo se revela intrincados projetos que esbarram em barreiras legais, contratos mal elaborados, e incompetência para dar uma nova forma de cobrança que justifique os benefícios que realmente ocorreram.

O governo do Estado já se manifestou a respeito do trecho da SP-340. Reconhece claramente a distorção existente, propôs a criação de um ponto desmembrado de cobrança do pedágio e foi vencido na Justiça por conta de um contrato de longo prazo que concede benefícios à concessionária Renovias que, por óbvio, não aceita discutir alterações que poderiam resultar em redução de seus lucros.

Ainda de olho nos resultados eleitorais, o governador Geraldo Alckmin anunciou com pompa e circunstância a inauguração do sistema de cobrança Ponto a Ponto, que, em princípio e se bem administrado, resultaria em uma taxação mais justa, equilibrada e inteligente. Deveria ser esperado o resultado. Os estudos são adiados indefinidamente, o projeto não resultou em aplicação prática e o sistema somente deverá ser implantado no próximo ano, isso de houver a devida pressão da sociedade, a intervenção dos políticos locais para reverter este quadro inaceitável, ou uma nova eleição, quando se renovam as promessas.