Publicado 11 de Novembro de 2012 - 11h46

Por Maria Teresa Costa

Placa indica local onde passa o etanolduto, no trecho da Rodovia Zeferino Vaz que corta Paulínia

César Rodrigues/AAN

Placa indica local onde passa o etanolduto, no trecho da Rodovia Zeferino Vaz que corta Paulínia

O primeiro trecho de 208 quilômetros de dutos para o transporte exclusivo de etanol está pronto e a partir de março entrará em operação para escoar o álcool de Ribeirão Preto, principal região produtora, para Paulínia, maior distribuidor do País. O trecho custou R$ 1 bilhão e é parte de um megainvestimento de R$ 7 bilhões para construir o primeiro etanolduto do mundo, com1,3 mil quilômetros de dutos exclusivos para o combustível. Esse sistema, que torna Paulínia centro de distribuição do etanol, prevê a criação, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, de corredores de transporte dutoviário e hidroviário de álcool, que funcionarão em conjunto ao sistema de distribuição das regiões.

O sistema, segundo cálculos da Logum Logística S.A., empresa responsável pela construção e operação do duto, reduzirá em 20% o custo do transporte do combustível. Em Paulínia, nas instalações da Petrobras, haverá 224 mil metros cúbicos de tancagem disponível para armazenamento operacional, tornando-se o centro armazenador para utilização do mercado e para o gerenciamento do Sistema Logístico de Etanol, uma vez que a região se encontra estrategicamente entre o sistema de captação e o de distribuição de etanol. O álcool combustível será captado em terminais e transportado por dutos que interligam a região de Jataí, em Goiás, a Paulínia, e da Hidrovia Tietê-Paraná, endereçado ao hub de Paulínia e distribuído em terminais e portos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“A obra está na fase de construção do centro coletor do combustível, em Ribeirão, e no distribuidor, em Paulínia, rigorosamente dentro do cronograma; vamos fluir etanol por São Paulo em março”, disse Alberto Guimarães, presidente da Logum.

Esse modelo, segundo a empresa, traz benefícios ambientais e econômicos, porque além da redução de custos em todo o processo, reduz também o desgaste das rodovias e a emissão de poluentes. A empresa é o resultado da integração dos projetos de logística de etanol da Uniduto, CentroSul e PMCC Soluções Logísticas. A Petrobras é uma das sócias do empreendimento e tem 20% da Logum, mesmo percentual das sócias Raízen, Copersucar e Odebrecht/ETH. Além delas, Uniduto e Camargo Corrêa que toca a obra têm 10% cada. O etanolduto deve transportar mais de 20 bilhões de litros por ano, com tancagem para 1,2 bilhão de litros de álcool quando a obra for concluída.

Malha

O sistema atravessará 45 municípios, ligando as principais regiões produtoras de etanol nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul ao principal ponto de armazenamento e distribuição em Paulínia. Ele se estenderá a partir de Paulínia, conforme a Logum, por uma ampla malha de dutos existentes até os terminais em Barueri e Guarulhos, na grande São Paulo e em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Desses pontos, o etanol será levado diretamente aos postos de combustíveis, por meio de transporte rodoviário de curta distância. Para garantir que o etanol chegue a outros mercados no território nacional, por cabotagem, o sistema de escoamento alcançará terminais marítimos nos litorais de São Paulo e Rio.

O projeto, quando concluído, terá uma capacidade instalada de transporte de até 21 milhões de metros cúbicos de etanol por ano. Mais de 10 mil empregos diretos e indiretos serão gerados. Parte dessa mão de obra será recrutada nas regiões do entorno.

O segundo trecho do etanolduto, nos 136 quilômetros entre Ribeirão Preto e Uberaba, em Minas Gerais, terá início em março e estará pronto em meados de 2014.

O etanol localizado nas regiões Centro-Oeste e Sudeste será captado em nove terminais — cinco deles, terrestres, ficam ao longo do duto que está sendo construído entre Paulínia e Jataí, nas cidades de Ribeirão Preto, Uberaba, e nas goianas Itumbiara, Quirinópolis e Jataí. Serão mais quatro terminais aquaviários ao longo da Hidrovia Tietê-Paraná, nas cidades de Anhembi, Araçatuba, Aparecida do Taboado (MS) e Presidente Epitácio.

Escrito por:

Maria Teresa Costa