Publicado 09 de Novembro de 2012 - 9h44

Caso isso aconteça, a medida exigirá 36 milhões de toneladas de cana-de-açúcar

Cedoc/RAC

Caso isso aconteça, a medida exigirá 36 milhões de toneladas de cana-de-açúcar

As distribuidoras de combustível da Região Metropolitana de Campinas (RMC) estão informando os revendedores sobre uma possível queda nos estoques de gasolina no final do ano. O gerente do posto de uma grande bandeira em Campinas afirmou ontem que a matriz da marca avisou a todos sobre um possível desabastecimento. “A orientação é reforçar o estoque porque disseram que vai faltar”, disse. Logo após a entrevista, três postos com a mesma bandeira estavam sendo abastecidos por caminhões.

A notícia de que o governo se preocupa com uma possível falta de combustível, publicada domingo pelo jornal Folha de São Paulo, já está tendo reflexos nos postos de combustível da cidade. De acordo com um comerciante que pediu para não ser identificado, as distribuidoras já estão avisando sobre o problema. “Elas estão avisando todos os revendedores sobre a situação”.

O vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Recap), Emílio Martins, disse que o governo não irá admitir que pode haver desabastecimento, mas contou que as análises indicam para um possível “estrangulamento”. “Houve um aumento violentíssimo no consumo de gasolina, tudo indica que pode haver um estrangulamento. No Centro-Oeste a situação é mais grave. Vamos ter uns momentos de gargalo, mas nada grave”, afirmou Martins.

O jornalista Aray Nabuco tentou abastecer em um posto localizado na Avenida Pricesa d’Oeste ontem pela manhã e não encontrou gasolina. “Quando eu encostei o carro já me perguntaram se eu iria abastecer com álcool e disseram que estava faltando gasolina. Perguntei se era desabastecimento e disseram que era um problema com a distribuidora e que o combustível iria chegar à tarde”, contou.

O vice-presidente da Recap conta que o crescimento no consumo do derivado de petróleo se deve ao aumento da frota de veículos. “O governo está incentivando a venda de carros e isso já gera um aumento natural no consumo de combustíveis, mas a alta do etanol levou muita gente a optar pela gasolina e esse consumidor não voltou para o etanol após a queda do preço”, comentou.

Para piorar a situação, o consumo de combustíveis cresce cerca de 10% nos últimos meses do ano. “Todo ano é assim, as festas de fim de ano e os feriados impulsionam o consumo”, completou.

Martins disse, no entanto, que não acredita que esse cenário se reflita no aumento do preço dos combustíveis. “O governo já deu sinais de que não irá aumentar e os revendedores não querem isso. Há muita concorrência, não acredito que o consumidor irá pagar mais”, disse.

Uma saída do setor seria impulsionar o consumo de etanol, cujo valor vem apresentando quedas. “A Única está fazendo uma campanha nacional para incentivar o consumo do etanol e isso é muito válido”, afirmou Martins.