Publicado 09 de Novembro de 2012 - 9h35

Por Maria Teresa Costa

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos está negociando com a Petrobras a implantação de um duto entre a Refinaria de Paulínia (Replan) e o aeroporto, para levar o querosene que abastece as aeronaves diretamente da área de armazenagem da refinaria para o pátio de aviões do aeroporto. A medida está sendo discutida como forma de reduzir o custo do combustível para as empresas aéreas e ter garantia de abastecimento que independa do transporte rodoviário. No ano passado, Viracopos consumiu cerca de 300 milhões de litros de querosene.

A refinaria já anunciou que vai mais que duplicar a produção de querosene para poder atender o crescimento da demanda de Viracopos. Atualmente, o número de pousos e decolagens no terminal de Campinas está em 87,6 mil mensais entre voos de passageiros e cargas.

O fluxo contínuo do combustível, segundo a concessionária, dará mais tranquilidade ao aeroporto em situações que estão se tornando cada vez mais comum, como o fechamento de outros aeroportos e que obrigam os voos a serem alternados para Campinas, exigindo uma quantidade de combustível para o reabastecimento, superior à capacidade de armazenamento do terminal.

As conversas ainda são muito iniciais, segundo informou o gerente comercial da concessionária, Aluízio Margarido, durante a Expo Scala 2012. A possibilidade de construção de um duto de 30 quilômetros de extensão entre a Replan e Viracopos, é parte de soluções que estão sendo pesquisadas para tornar o aeroporto mais ágil e eficiente em todos os setores. Uma dessas soluções, por exemplo, é a negociação com a Receita Federal para desobstruir o terminal de cargas, atualmente com 70% de sua área ocupada com cargas em perdimento — mercadorias apreendidas pela Receita ou abandonados por importadores.

Na próxima quarta-feira, a concessionária Aeroportos Brasil assume a operação supervisionada de Viracopos por um período de três meses e, depois desse tempo, será a operadora exclusiva do terminal. Sua obrigação contratual é dotar o aeroporto para que, em um prazo aproximado de 30 anos, tenha quatro pistas para pousos e decolagens e capacidade para 80 milhões de passageiros por ano. A área do aeroporto, que hoje é de 8,3 milhões de metros quadrados, será de 25,9 milhões de metros quadrados. O cálculo do investimento total é de R$ 8,4 bilhões. Estão previstas áreas para um centro de convenções, hotéis e shoppings.

O projeto completo do novo Aeroporto de Viracopos foi aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e está dividido em cinco ciclos de obras. O novo terminal de passageiros faz parte do primeiro ciclo, que teve início no dia 31 de agosto com as obras de terraplenagem. Segundo a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, após 2014 serão investidos mais R$ 7 bilhões no processo contínuo de expansão.

O crescimento no volume de passageiros levou a Refinaria de Paulínia a decidir ampliar a produção de querosene de aviação dos atuais 80 milhões de litros anuais para 180 milhões em cinco anos. Isso irá exigir a construção de novas unidades de hidrotratamento de diesel e querosene (HDT). As obras estão previstas para ter início no final de 2013.

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Maria Teresa Costa