Publicado 08 de Novembro de 2012 - 10h16

Cerca destruída facilita a entrada sem controle no Clube Municipal Chico Mendes, no Residencial Gênesis: homem morreu afogado esta semana

César Rodrigues/AAN

Cerca destruída facilita a entrada sem controle no Clube Municipal Chico Mendes, no Residencial Gênesis: homem morreu afogado esta semana

Apenas sete das 32 praças de esporte e clubes municipais de Campinas têm vigilantes. O número não é suficiente nem para proteger as 19 praças do município que têm piscinas. Com isso, 25 praças esportivas funcionam sem seguranças, como é o caso do Clube Municipal Chico Mendes, onde um homem morreu afogado na segunda-feira. A falta de vigilantes, professores de Educação Física e funcionários para tratar a água da piscina não é exclusividade do clube localizado no bairro Gênesis.

A situação de abandono e falta de investimento nessas praças, que foi denunciada em séries de reportagens pelo Correio no início do ano, continua inalterada. O Clube Municipal Roberto Ângelo Barbosa, que funciona na Vila 31 de Março, é outro exemplo do descuido. No local, não há vigilante ou tratador para a piscina. A funcionária Mari Mello foi flagrada ontem pela reportagem cumprindo de forma improvisada a função que seria do tratador. No último final de semana, vândalos invadiram o local e quebram o chuveiro, a mangueira que faz a limpeza na água e outros equipamentos utilizados na área. E como não há um funcionário qualificado para fazer a limpeza, a piscina está fechada para o público.

O Centro Esportivo dos Trabalhadores, na Vila Padre Manoel da Nóbrega, já foi um dos melhores clubes da cidade. Tem uma grande piscina, construída no formato do Estado de São Paulo, mas a falta de manutenção e cuidado fizeram com que o local ficasse destruído. Sem vigilantes, os vestiários e banheiros foram vandalizados. As pichações tomaram conta do espaço e não há funcionários em número suficiente para a limpeza.

Depois da reportagem questionar a Prefeitura sobre a situação de abandono do clube, funcionários da Administração retiraram o equipamento usado para limpeza da piscina. “Ontem à tarde vieram aqui e levaram a bomba para consertar. Ela já estava quebrada há cerca de 15 dias”, contou o presidente da Associação de Moradores do Residencial Gênesis, William Gonçalves Martins.

Morte

Segundo relatos dos vizinhos do Clube Municipal Chico Mendes, o morador de rua Reginaldo Vieira morreu afogado entre as 16h e 17h. O sargento Luis Dicara, do setor de Relações Públicas do Corpo de Bombeiros, informou que a corporação só recebeu a ligação informando sobre o afogamento por volta das 22h. “A pessoa contou que o corpo do homem já estava no local há pelo menos quatro horas”, completou o sargento.

Independente do horário em que a morte ocorreu, o clube estava fechado para o público, mas não havia um segurança que pudesse impedir o uso da piscina. “É uma demanda antiga. Precisamos de um vigia em tempo integral. O alambrado está quebrado, nada impede as crianças de entrarem na água e o risco de afogamento existe. Vão esperar uma criança morrer?”, questionou Martins.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Esportes informou que está providenciando o conserto da bomba da piscina e disse que trabalha para normalizar a situação no Clube Municipal 31 de Março.