Publicado 08 de Novembro de 2012 - 10h58

Jeniffer Bubula, proprietária de revendedora de gás no Jd. Conceição: até ontem à tarde loja tinha apenas 4 botijões cheios no estoque

Rodrigo Zanotto/Especial para a AAN

Jeniffer Bubula, proprietária de revendedora de gás no Jd. Conceição: até ontem à tarde loja tinha apenas 4 botijões cheios no estoque

Os estoques de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, estão zerados em pelo menos 80% das distribuidoras de Campinas. A situação é reflexo da greve dos engarrafadores do produto, que já dura quatro dias, na Refinaria do Planalto Paulista (Replan), em Paulínia. A fábrica é responsável pelo abastecimento de 50% das distribuidoras do Estado e 25% das revendedoras de todo o País, de acordo com o Sindicato dos Revendedores de Gás do Interior.

Muitas distribuidoras da cidade chegaram a fechar as portas ontem por não terem mais GLP para comercializar. Algumas já estão vendendo o botijão de 13 quilos por preço mais elevado — em torno de R$ 48,00 — , devido ao frete pago para que o produto chegue de outros estados. Ao todo, 300 lojas de Campinas estão sendo afetadas pela paralisação. “O sindicato dos engarrafadores também está fazendo piquete para que carretas a granel não cheguem nas distribuidoras. Isso inviabiliza qualquer forma das empresas conseguirem o GLP”, afirmou o presidente do Sindicato dos Revendedores, Giovani Buzzo.

A Justiça do Trabalho determinou que a partir de hoje as empresas garantam o funcionamento mínimo de 40% da produção e escoamento do produto no Interior e 30% do contingente de funcionários na Grande São Paulo. A decisão é rescaldo de uma ação impetrada na tarde de segunda-feira pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito (Sindigás), para que a greve fosse suspensa imediatamente — a liminar foi concedida parcialmente pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.

Os trabalhadores reivindicam aumento de 8,5% do salário, que ficaria em R$ 1.476,24, vale-refeição de R$ 24,00 por dia e participação nos lucros e resultados (PLR) de 220% do salário-base. Uma audiência entre sindicato patronal e o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo em Campinas foi marcada para o dia 14 de novembro. “Até lá, vamos continuar a greve com 60% dos trabalhadores das cinco empresas que aderiram à paralisação. Isso totaliza 600 funcionários parados. Acredito que 40% é suficiente para atender serviços essenciais, como hospitais e escolas”, afirmou o advogado do sindicato dos tralhadores, Marco Antonio de Carvalho Albertini.

Escassez

A notícia da escassez de botijões acendeu um alarme entre a população da cidade, que já corre nas distribuidoras para garantir o produto. “Não estamos conseguindo atender à demanda. Muitas donas de casa preocupadas já estão encomendando o produto, mesmo que o gás de casa não esteja no fim”, afirmou Paulo Fernando, gerente de uma distribuidora no Jardim Santana. A revendedora tinha 40 pedidos de entrega até as 15h de ontem.

Sem nenhum botijão ou cilindro de GLP no estoque, Gustavo Santis, gerente de uma distribuidora na Ponte Preta, fechou as portas na manhã de ontem. “Não recebemos mais nada desde segunda-feira. Ainda não calculei o prejuízo, mas se os trabalhadores continuarem parados até quarta-feira que vem, o rombo será grande”, afirmou Santis. Jeniffer Daniele Bubula, proprietária de uma revendedora de gás no Jardim Conceição, tinha somente quatro botijões na tarde de ontem. “Ainda estamos sem previsão para receber o produto. Amanhã com certeza não teremos mais nada para vender”, afirmou.