Publicado 08 de Novembro de 2012 - 9h03

Por Milene Moreto

Plenário esvaziado durante a sessão de ontem à noite na Câmara de Campinas: expedientes de curta duração e com baixo quórum

Leandro Ferreira/AAN

Plenário esvaziado durante a sessão de ontem à noite na Câmara de Campinas: expedientes de curta duração e com baixo quórum

A poucos dias do encerramento oficial dos trabalhos da Câmara de Campinas e ao final do mandato de quatro anos, os vereadores desaceleraram e agora se preparam para a transição do novo governo do prefeito eleito Jonas Donizette (PSB) ou para deixar o Legislativo, no caso dos que não foram reeleitos. O desânimo na reta final dos parlamentares é evidente e atribuído por eles ao período conturbado que a cidade viveu com a crise política e também ao esforço durante a campanha eleitoral. Os vereadores também saíram desgastados no final do ano passado após a discussão e aprovação de aumento salarial de 126% nos próprios salários, revogado neste ano.

Com o caixa mais enxuto este ano e com a descrença da população na política, os parlamentares candidatos foram obrigados a intensificar o corpo a corpo para convencer o eleitorado neste ano. O clima de “fim de feira” tem feito os parlamentares desovarem projetos — muitos deles sem relevância ou inconstitucionais — para lotar a pauta e discutir poucas propostas importantes para a cidade na tribuna.

A eleição ainda é tema dos discursos dos legisladores. Nas últimas sessões, os expedientes têm sido curtos e o plenário tem recebido em média 20 do total de 33 parlamentares. Na pauta, projetos de lei que regulam questões de atribuição do Executivo e propostas que interferem no funcionamento de empresas privadas são constantes e o veto da Administração já é esperado. Uma das últimas ações da Casa será a aprovação do Orçamento de 2013, que deverá ocorrer até a última sessão da Casa, marcada para o dia 12 de dezembro.

Campinas renovou este ano nas urnas metade da Câmara. O número ficou dentro do esperado por especialistas, mas abaixo do previsto por movimentos sociais criados na cidade. Dos 33 vereadores, 18 deixarão a Casa. A renovação foi de 54%.

Veteranos que cumpriam o quarto ou quinto mandato consecutivo ficaram de fora da nova composição, como Francisco Sellin e Sebastião dos Santos, ambos do PMDB. Mas os parlamentares não reeleitos têm sido vistos com frequência nas sessões da Câmara. Enquanto os veteranos se despedem, os novatos e os reeleitos se debruçam sobre as costuras políticas que têm como foco a eleição da presidência da Casa, que ocorrerá na primeira sessão do próximo ano. O alinhamento dos vereadores que integram a coligação de Jonas para formar uma base governista forte também é um dos temas que permeiam a discussão nos bastidores do Legislativo.

Cansaço

Reeleito, o vereador Jorge Schneider (PTB) acredita que o cansaço geral dos parlamentares decorre do esforço da campanha eleitoral. “Nós não tivemos recesso em janeiro devido à cassação e à eleição indireta na Câmara. Essa campanha também foi muito difícil. Isso acabou desgastando todos os vereadores”, disse o petebista.

Desde maio do ano passado, a Câmara enfrentou dois processos de cassação — dos prefeitos Hélio de Oliveira Santos (PDT) e Demétrio Vilagra (PT). Em dezembro, a Casa passou a se preparar para uma eleição indireta. O pleito foi realizado em abril e teve como resultado a vitória de Pedro Serafim (PDT), então presidente do Legislativo, que passou a ser o prefeito da cidade.

O vereador Dário Saadi (PMDB), que saiu candidato a vice-prefeito de Serafim e não conseguiu liberar o registro de sua candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa em razão de um reajuste concedido aos parlamentares em 2006, na época em que presidia a Câmara, ficará de fora do novo quadro de parlamentares. Para ele, a não reeleição de metade da Câmara não gera desânimo na Casa. “É natural que o ritmo mais lento ocorra em razão do final do mandato e do período pós-eleitoral. Mas o plenário está cheio e os parlamentares estão discutindo os projetos de lei”, disse o vereador durante a sessão de ontem, quando 20 vereadores estavam presentes.

Pela primeira vez eleito, Luiz Lauro Filho (PSB), que atualmente ocupa como suplente uma vaga na Casa, afirma que o número de projetos diminuiu. “Mas é a primeira vez que participo do final de um mandato. Acredito que os parlamentares estão se preparando para a mudança de governo”, disse o pessebista.

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Milene Moreto