Publicado 07 de Novembro de 2012 - 23h21

O debate público promovido no início da noite desta quarta-feira (7) no Salão Vermelho da Prefeitura de Campinas para debater sobre as soluções para o Centro de Convivência Cultural (CCC) foi marcado pela tensão.

Pessoas ligadas a vários setores da Cultura e a mesa organizada pela Administração municipal, com o secretário de Comunicação, Wilson José, como mediador, travaram discussões sobre o futuro do espaço, a situação degradante em que ele se encontra e a solução para o problema. A expectativa de quem chegou para o debate, entretanto, era de que a reunião fosse discutir o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) de investimento para a recuperação do local, o que não ocorreu.

“Tem muita gente da Cultura aqui hoje que veio para discutir e dizer não ao modelo de PPP, mas, na verdade, o que se falou foi de um concurso público para a escolha de um projeto arquitetônico para o que será feito ali. Para isso não precisa de debate. O que não queremos é uma gestão privatizada da Cultura”, disse Cassiane Tomilhero, produtora cultural e conselheira do Orçamento Participativo da Cultura.

Segundo o secretário de Comunicação, o modelo PPP será discutido apenas no futuro. “É preciso escolher um projeto. Em cima dele é que veremos que tipo de investimento será feito, inclusive a possibilidade de utilização do modelo de PPP.” Mas a ideia de parceria privada não agradou a praticamente nenhum dos participantes do debate.

Além de personagens ligados ao setor, estiveram presentes membros de partidos como PSOL e PT, dois futuros vereadores eleitos — Paulo Búfalo (PSOL) e Pedro Tourinho (PT) —, um parlamentar da legislatura atual — Luiz Lauro Filho (PSB) — artesãos que utilizam a praça aos finais de semana e professores. “O dinheiro público também é voltado para a Cultura. Por que então não têm dinheiro para recuperar o Centro de Convivência? Se quisermos fazer algo no futuro, não vamos ter um espaço público. Onde iremos fazer? A situação está assim hoje por culpa deles (Executivo)”, disse a professora Nara Saviani, de 34 anos.

Segundo a coordenadora do Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc), Daisy Serra Ribeiro, o teatro na parte interna e o teatro de arena devem ser mantidos independente de qual desenho vencer. “O projeto selecionado no concurso deverá passar por aprovação do Condepacc. Está tombado tanto o uso como a função do Centro de Convivência, os teatros e também o traçado da Praça Imprensa Fluminense”, explicou.

Marcelo Cândido, um dos engenheiros que elaborou os laudos dos problemas enfrentados pelo espaço, e que causaram a interdição do teatro, disse que a edificação possui vários pontos defeituosos e vícios construtivos. “A análise que fizemos mostra que todas as soluções que foram tomadas foram totalmente paliativas. Foram remendos e manutenções feitas com imperícia”, afirmou, alertando que o local necessita “urgentemente” de manutenção.