Publicado 06 de Novembro de 2012 - 9h55

Pista de taxiamento (no canto direito) com asfalto precário, paralela à principal: vetada para os pousos e decolagens

Gustavo Magnusson/Cedoc/Rac

Pista de taxiamento (no canto direito) com asfalto precário, paralela à principal: vetada para os pousos e decolagens

A pista de taxiamento do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, poderia ter sido utilizada, se estivesse em bom estado, como alternativa emergencial para reduzir o impacto da interdição do terminal que durou 45 horas e prejudicou 25 mil passageiros, após o acidente com um avião cargueiro na pista principal, no mês passado. A precariedade do asfalto na pista auxiliar suspendeu as operações de pousos e decolagens de aeronaves em 2006 no terminal. Por causa da necessidade de uma série de adequações, o uso dela para pousos e decolagens permanece descartado.

De acordo com especialistas do setor, a via poderia receber aeronaves de médio porte, as chamadas aeronaves do tipo C (com até 70 passageiros), como os modelos ATR (turbo hélice) das companhias aéreas Azul e Trip, que poderiam ter operado pousos e decolagens em esquema excepcional. Com isso, parte dos 507 voos cancelados durante a interdição teriam partido ou chegado, o que reduziria grande número de passageiros impactados e os prejuízos das companhias aéreas.

Em Viracopos, tanto a pista principal quanto a auxiliar possuem 3,2 quilômetros de comprimento, porém, enquanto a principal tem 45 metros de largura, a de taxiamento tem apenas 23 metros, o que a impossibilita de receber aviões de porte maior. Para operações com aeronaves maiores, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informa que a pista deve ter, no mínimo, 30 metros de largura. No Brasil, os grandes aeroportos possuem 45 metros de largura de pista.

Ao todo, a Azul possui 11 aeronaves médias desse modelo (ATR), que operam a partir de Viracopos. A Trip possui 12 aviões do mesmo tipo. As empresas não informaram o movimento com essas aeronaves nos dias em que o terminal ficou fora de operação. “Se a pista de taxiamento estivesse em condições, poderia tranquilamente ter sido utilizada e causaria menos danos ao terminal e às pessoas”, afirmou o engenheiro aeronáutico Jorge Leal Medeiros.

O especialista acredita que a via deveria receber condições de balizamento e sinalização. “Durante o dia e, com condições boas de asfalto, dá para fazer pousos e decolagens. É só fazer uma sinalização simples. Dá para arrumar e evitar um monte de problemas.”

Segundo a Infraero, a pista auxiliar é homologada desde 1981 para taxiamento e voos eventuais com aeronaves tipo C, mas a precariedade na pavimentação gerou um alerta de segurança da Anac, em 2006, para que ela não fosse mais utilizada para pouso e decolagens. Apenas operações de taxiamento poderiam ocorrer na via. Ela não possui sinalização.

A Infraero informou que, quando houve a determinação, Viracopos tinha outro perfil operacional e era voltado para cargas com operação de aviões de grande porte, além de ter um volume de movimentações bem inferior ao atual. Com a alta no movimento, a opção foi pela construção da segunda pista, que será feita em 2017.