Publicado 05 de Novembro de 2012 - 22h38

Margens da ferrovia, no Jardim Florence, onde as árvores foram retiradas: moradores protestaram

Augusto de Paiva/18set2012/AAN

Margens da ferrovia, no Jardim Florence, onde as árvores foram retiradas: moradores protestaram

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente autorizou a América Latina Logística (ALL) a retomar as obras de duplicação do trecho ferroviário que passa por Campinas.

A permissão aconteceu após a Prefeitura e a empresa assinarem, no final da semana passada, o Termo de Compromisso Ambiental (TCA). Nele, a concessionária assumiu a responsabilidade de realizar plantios compensatórios de pelo menos 14,6 mil mudas de espécies nativas por, no mínimo, 2 anos em área equivalente a 87,8 mil metros quadrados no município. A intenção da ALL era fazer uma compensação de 10 mil mudas. Se não cumprir, a ALL pode ser multada em R$ 255 mil.

A empresa tem dois meses para apresentar um projeto com o local onde será feita a compensação com as espécies de mudas, cronograma e manejo. O documento tem que ser feito por um profissional especializado. A ALL também ficou obrigada a apresentar a cada seis meses relatórios graduais, com fotos, de toda a compensação no município.

A polêmica que levou à assinatura do acordo começou no mês de setembro, após cerca de 50 árvores que ficavam próximo ao ramal férreo, no Jardim Florence, serem extraídas por funcionários da ALL. As podas ocorreram para as obras de duplicação do trecho da ferrovia iniciada em julho e que irá ampliar em duas vezes a capacidade total da malha de locomotivas entre Itirapina até o Porto de Santos, com extensão de 383 km e investimentos de R$ 535 milhões.

A ação no trecho de Campinas gerou revolta de moradores do Jardim Florence contrários à subtração das árvores plantadas por eles há 20 anos. Na semana retrasada, o biólogo e coordenador de Meio Ambiente da empresa, Rafael Mattos, foi convocado para prestar esclarecimentos ao Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema).

A ALL, por sua vez, apresentou toda a documentação e a licença emitida pelos técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que autorizava as extrações realizadas.