Publicado 30 de Novembro de 2012 - 10h12

Paciente coleta sangue para teste de Aids em centro de Saúde em Campinas: secretaria alerta para necessidade do diagnóstico precoce

Cedoc/RAC

Paciente coleta sangue para teste de Aids em centro de Saúde em Campinas: secretaria alerta para necessidade do diagnóstico precoce

Desde 2007, a Secretaria de Saúde de Campinas não consegue reduzir os índices de registro de novos casos de Aids na cidade. A cada ano são registrados cerca de 260 doentes e esse número vem se mantendo estável desde 2007.

De acordo com a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids, Cláudia Barros, a epidemia na cidade, assim como em grandes municípios, do porte de Campinas, está concentrada em uma população composta por dependentes químicos, profissionais do sexo e jovens que não viveram o pico da Aids. “É preciso desenvolver novas ações para atingir esse público.”

Cláudia conta que a estabilidade foi alcançada graças a investimento feito no incentivo ao diagnóstico precoce. “É uma estabilidade que não nos deixa tranquilos. A gente caminhou para uma queda até 2007, mas depois disso a situação ficou estável”, afirmou. Segundo ela, a situação é parecida em grandes cidades e capitais. “Avançamos muito, mas encontramos um limite, pensamos em estratégias novas para avançar mais e atingir uma camada de população que não conseguimos”, afirmou.

Muitas pessoas, no entanto, têm medo de fazer o teste e descobrir que estão com a doença. O empresário R.S. só fez o seu primeiro teste quando tinha 47 anos. “Nunca fui promíscuo e usava o preservativo, mas em relações estáveis a gente tende a não usar. Então resolvi fazer o teste para ficar em paz”, afirma. Ele diz que tem muitos amigos que passaram dos 50 anos e não fizeram o teste. “Acho que muita gente não faz por causa do medo. Mas o melhor a fazer é se prevenir”, diz.

Ela explica que não há mais a classificação de grupos de risco e reforça que todo mundo está suscetível a contrair a doença. “A gente entende que o Brasil tem uma epidemia concentrada. Ainda tem prevalência de casos entre as populações mais vulneráveis, os excluídos socialmente, dependentes de todos os tipos de drogas, incluindo o álcool, profissionais do sexo”, explica Cláudia. Ela inclui jovens que não viveram o grande boom da epidemia nas décadas de 80 e 90. “Para muitos desses jovens, o que aconteceu na década de 80 é história.”

O maior desafio é conseguir fazer o diagnóstico precoce. “Há cinco anos, metade das pessoas fazia o diagnóstico quando já estava doente. Hoje, segundo dados do Ministério da Saúde, esse índice diminuiu para um terço”, acrescentou Cláudia.

A estimativa é de que para cada duas pessoas que sabem que têm HIV, exista mais uma que não sabe. “É importante avançar no diagnóstico precoce porque ele favorece o tratamento, dá mais qualidade de vida e mais opções aos doentes. Além disso, reduz a carga viral que está circulando entre a população”, afirmou.

A mortalidade por complicações provocadas pela doença também caiu nos últimos anos. Em 1995, no ápice da epidemia, 22 pessoas morriam para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2000 esse número caiu para 10,4 e em 2010 a mortalidade atingia 6,2 pessoas para cada grupo de 100 mil habitantes.

O número de mulheres infectadas pelo vírus cresceu ao longo dos anos e está estável na cidade, segundo dados da Secretaria. Na década de 80, uma mulher era infectada para cada grupo de 26 homens. Hoje, a proporção é de uma mulher infectada para cada grupo de três homens.