Publicado 30 de Novembro de 2012 - 10h02

Por Maria Teresa Costa

A vegetação encobre pilares instalados em área ao lado da Praça dos Arautos da Paz para o elevado por onde a maria-fumaça vai passar: erro no projeto parou os trabalhos

Elcio Alves/AAN

A vegetação encobre pilares instalados em área ao lado da Praça dos Arautos da Paz para o elevado por onde a maria-fumaça vai passar: erro no projeto parou os trabalhos

Dois projetos ligados ao turismo que estão parados em Campinas, a extensão da maria-fumaça da Estação Anhumas até a Praça Arautos da Paz e a recuperação da caravela da Lagoa do Taquaral, irão receber recursos do Ministério do Turismo para poderem ser retomados. O prefeito eleito Jonas Donizette (PSB) disse ontem, depois de se reunir com o ministro Gastão Dias Vieira, que há recursos da maria-fumaça parados em Brasília e que a caravela terá R$ 2 milhões para ser recuperada, vindos de emenda parlamentar ao orçamento que o próprio deputado federal apresentou. O montante destinado à maria-fumaça não foi informado.

Caravela, abandonada à margem da Lagoa: dinheiro só será liberado após após apresentação de projeto

“Vou tentar fazer as licitações dessas duas obras logo no início do mandato porque tanto a caravela como a maria-fumaça são importantes atrativos turísticos e símbolos importantes de Campinas”, afirmou. Jonas está, desde a semana passada, percorrendo os ministérios para tentar destravar demandas de Campinas. Ele quer agilizar a aprovação de projetos e liberar recursos de interesse da cidade que estão parados ou em análise nos vários órgãos federais. O pacote de projetos foi encaminhado pelo prefeito Pedro Serafim (PDT) a Jonas como parte do processo de transição de governo.

O Ministério do Turismo havia aprovado uma verba de R$ 1,5 milhão para a extensão da linha da maria-fumaça. Uma parte desse dinheiro foi liberada e utilizada na obra, que está parada desde o ano passado. Há ainda recursos para serem repassados para Campinas, mas dependerão de alterações no projeto para que a implantação seja viável. Em relação à caravela, será necessário apresentar um projeto de recuperação da nau para que o dinheiro sai.

A maria-fumaça já consumiu quase R$ 1 milhão sem que um metro de trilho tenha sido instalado. O contrato da obra, com a Maruca Comércio e Serviços Ltda., foi rompido amigavelmente. A empresa não teve condições de concluir o empreendimento porque houve erros técnicos. O problema ocorreu no projeto doado à Prefeitura pela Petrobras. Com isso, a construtora não conseguiu executar a obra e seria necessário aditar o contrato de R$ 2 milhões em mais R$ 1,3 milhão, muito acima do permitido em lei. O Tribunal de Contas da União (TCU) aceita aditamentos por erros de projeto em no máximo 10%, enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE) tolera até 5%.

Será preciso fazer adequação de terraplanagem e drenagem superficial de água pluvial, informou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, José Afonso Bittencourt. Um dos cálculos errados que paralisou as obras foi a previsão de fundação de 9 metros de profundidade no local onde será construído um elevado por onde os trilhos irão passar. “Na realidade, a profundidade necessária para a fundação é de 18 metros devido ao tipo de terreno do local”, disse o secretário. O projeto não previu também a construção de uma rotunda na Arautos da Paz para a maria-fumaça fazer o retorno. Até o momento, 17 pilares foram colocados. Faltam sete.

A extensão de 2,5 quilômetros estava prevista para custar R$ 3,37 milhões, com investimentos de R$ 1,5 milhão da Petrobras, R$ 1,5 milhão do Ministério do Turismo e R$ 370 mil da Prefeitura. Recursos da Petrobras foram repassados à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), responsável pela operação e administração da ferrovia histórica, que contratou o projeto executivo da mesma empresa que projetou a extensão dos trilhos até a Estação Cultura, em Jaguariúna. A contratação pela ABPF foi orientada pela Prefeitura, que inclusive aprovou o projeto apresentado por ela.

As obras tiveram problemas desde o início. O primeiro foi o fato de a Prefeitura implantar o Parque Yasser Arafat depois que o projeto de engenharia estava pronto. Assim, houve necessidade de movimentar muito mais terra do que o previsto. Depois, foram as fundações. O contrato feito com a Maruca para as obras obrigava a realização de sondagem e, para isso, foi contratada uma empresa que identificou que, para 100 toneladas, as estacas deveriam ter de 18 a 20 metros. Algumas delas foram feitas e a obra parou em seguida porque não dava para prosseguir com os erros do projeto.

Escrito por:

Maria Teresa Costa