Publicado 29 de Novembro de 2012 - 9h22

Edson Jóia, da Lesca, em desfile na região doo Ouro Verde este ano:

22fev2012/AAN

Edson Jóia, da Lesca, em desfile na região doo Ouro Verde este ano: "É ruim porque não há competição"

O futuro secretário de Cultura de Campinas, o professor Ney Carrasco, garantiu ontem, em entrevista exclusiva ao Correio, que o Carnaval será realizado no ano que vem. Mas a falta de tempo para o planejamento fará com que seja parecido com o de 2012: sem muito investimento e descentralizado. De acordo com Carrasco, a secretaria não vai conseguir viabilizar uma festa diferente do que o que foi feito este ano em pouco mais de um mês. Oficialmente, o novo governo assume em 1º de janeiro. A atual Administração deixará uma previsão orçamentária de R$ 863 mil em repasses para escolas, blocos e bandas. A programação e datas ainda serão definidas.

A incerteza da realização da festa causou apreensão entre os carnavalescos campineiros. No entanto, mesmo com a confirmação da execução da festa pelo novo gestor público, a descentralização, com desfiles isolados no Campo Grande, Ouro Verde e Praça Arautos da Paz, no Taquaral, não agradou a Liga das Escolas de Samba, Blocos, Cordões e Ranchos Carnavalescos (Lesca). “Carnaval descentralizado é ruim porque não há competição. E o que motiva o carnavalesco é a disputa”, afirmou o presidente, Edson Jóia.

Para o representante das escolas de samba, a falta de disputa afasta o público e os próprios carnavalescos. A Lesca sugere que o Carnaval seja mais curto, modesto, tenha menor em estrutura, com ao menos uma arquibancada, e que os desfiles sejam feitos no Túnel Joá Penteado, que liga o Centro à Vila Industrial. Jóia afirmou que vai levar a reivindicação a Carrasco antes de ele assumir o cargo.

O presidente da Liga também quer apresentar um esboço para a realização do pré-Carnaval na Estação Cultura. E pretende ainda mostrar um projeto de longo prazo: a Fábrica do Carnaval. Trata-se de um espaço físico com barracão para as escolas. No local, seriam realizados cursos e as escolas de samba confeccionariam suas fantasias. “É um projeto ambicioso, mas que poderia gerar emprego e renda.”

O futuro secretário de Cultura se mostrou aberto às demandas. O futuro gestor aposta nessa profissionalização das escolas de samba e dos blocos. “A ideia é criar autonomia para que as escolas funcionem com recursos próprios para fazer, ao longo do ano, a sua produção, como é feita nos grandes centros, gerando renda, emprego e atuando diretamente na comunidade”, disse. A perspectiva, afirmou, é de que, em 2014, o Carnaval seja “digno, à altura das escolas, pela história que elas têm em Campinas”. Carrasco pretende abrir esse diálogo com os carnavalescos no início do ano.

“Nós vamos conversar muito nesse período com os agentes do Carnaval. Mas, com relação à festa de 2013, tenho que ser muito objetivo. Não adianta eu ficar inventando soluções mágicas que não existem. Temos que ser muito honestos. Vamos aplicar os recursos destinados ao Carnaval, que já estão reservados no orçamento, da melhor maneira possível”, disse Carrasco.

Falta de tempo e verba também fizeram parte do cenário que antecedeu o Carnaval deste ano na cidade. Poucos dias antes da festa, a Prefeitura cancelou os desfiles previstos para a Avenida Ruy de Almeida Barbosa, na Vila Industrial, e o então secretário de Cultura, Flávio Sanna, improvisou um evento que chamou de “Carnaval Descentralizado” com desfiles isolados nas três regiões da cidade.

O prefeito Pedro Serafim (PDT) havia assumido em dezembro do ano anterior após a cassação de Demétrio Vilagra (PT) e o novo secretário de Cultura foi nomeado quase um mês depois do pedetista ter assumido o cargo, o que fez com que a organização da festa ficasse para a última hora. A atual secretária, Renata Sunega, assumiu em agosto último.