Publicado 28 de Novembro de 2012 - 8h51

Na tarde de ontem, funcionários ainda trabalhavam para aprontar o local: macas e colchões do lado de fora

César Rodrigues/AAN

Na tarde de ontem, funcionários ainda trabalhavam para aprontar o local: macas e colchões do lado de fora

Com 38 dias de atraso, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro, instalada no prédio onde funcionava a sede Social do Clube Semanal de Cultura Artística, será inaugurada hoje pela Prefeitura de Campinas. No entanto, atendimento mesmo só a partir da próxima sexta-feira, dia 30. A Secretaria de Saúde informou que a unidade ficará aberta hoje apenas para “visitação pública” e amanhã será feita uma limpeza no local. O atendimento começa a partir das 7h de sexta.

Na tarde de ontem, funcionários da Prefeitura corriam contra o tempo para organizar tudo. Sete macas e colchões ainda embalados estavam do lado de fora, lixeiras fora de lugar, materiais médicos ainda estavam chegando e até um pouco de entulho era visto no entorno da unidade, que ainda não estava totalmente pronta para ser inaugurada.

O atraso para a conclusão e entrega do prédio, que passou por uma ampla reforma, ocorreu após problemas com o sistema de esgoto e com a rede elétrica do edifício. As duas redes foram trocadas, o que estava fora do cronograma, segundo a pasta. Ao todo, foram gastos cerca de R$ 1 milhão com a reforma. O edifício fica na Rua Irmã Serafina.

A abertura da unidade pretende dar fôlego ao sistema de Saúde da cidade, que convive com uma série de problemas. Na última semana, dois Pronto-Atendimentos — São José e Vila Padre Ancheita — ficaram sem atendimento em função da falta de médicos. O município convive hoje com a defasagem de, ao menos, 30 médicos plantonistas. Muitos se recusam a trabalhar em bairros afastados da área central da cidade.

O funcionamento da UPA Centro deve reduzir a demada de atendimento nesses dois PAs, além do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, que estão sobrecarregados desde o fechamento da unidade no início do ano. A UPA Centro terá capacidade para atender 500 pessoas por dia.

Emergência

A UPA Centro vai atender, além de casos de urgência e emergência, casos clínicos. Apenas o raio X deve ser inaugurado em janeiro do próximo ano. “Íriamos inaugurar por fases, mas já vamos entregar tudo ao mesmo tempo, menos o consultório de raio X, que ainda falta passar por uma avaliação técnica e por ajustes. Agora, faremos todo o atendimento clínico, mais complexo, mais grave, além de casos de observação”, afirmou o secretário de Saúde, Fernando Brandão.

A unidade terá seis consultórios funcionando durante o dia, o anterior tinha quatro, além de outras cinco salas que funcionarão como farmácia, área de emergência, de medicação, para terapia e de assistência social. “Queremos desafogar outras unidades e a do Centro acaba atraindo um contingente de pessoas que mora em bairros mais afastados e que acham mais fácil se locomover até o Centro”, disse.

A nova unidade contará com um grupo de 140 funcionários entre eles médicos, enfermeiros e profissionais da Saúde. “Hoje vivemos com uma escassez de médicos na cidade. Um dos maiores problemas é o PA Anchieta, onde muitos não querem trabalhar. A abertura da nova UPA vai aliviar essas unidades”, comentou o secretário.

Apesar de estar aberto apenas para “visitação”, o secretário assegurou que uma equipe médica ficará de prontidão caso haja necessidade de atendimento. “Estamos seguindo o modelo que acontece em várias regiões do País, no qual a população conhece o local, vê se é de agrado. As portas estarão abertas para as pessoas conhecerem o que elas terão à disposição”, disse ele.

 

Aluguel

O espaço tem cerca de 3 mil metros quadrados, porém, o PA irá utilizar pouco mais de 1 mil metros quadrados. O restante será ocupado por departamentos administrativos e técnicos da Secretaria de Sáude. O prédio foi alugado no mês de agosto. Pelo contrato, serão três anos de uso pelo valor de R$ 2,3 milhões, ou seja, R$ 66.184,00 mensais.

Desde março, a unidade de saúde não está em funcionamento. O antigo prédio ficava na Rua Barreto Leme e foi fechado pela Vigilância em Saúde, que considerou que o PA não tinha condições de atendimento.