Publicado 28 de Novembro de 2012 - 8h35

O presidente da escola de samba Renascença, Anderson de Araújo:

Elcio Alves/AAN

O presidente da escola de samba Renascença, Anderson de Araújo: "Estamos apreensivos e de mãos atadas"

A indefinição sobre um local e datas, o período de transição de governo na Prefeitura e as pendências na prestação de contas das escolas de samba estão deixando os carnavalescos campineiros apreensivos com relação à realização do Carnaval 2013. A atual secretária de Cultura, Renata Sunega, afirmou que há previsão orçamentária de R$ 863 mil em repasses para as escolas, blocos e bandas para a festa do ano que vem e, como de praxe, será publicada no Diário Oficial do Município (DOM). No entanto, esta dotação prevista não garante que, efetivamente, o Carnaval seja realizado, porque a decisão dependerá do próximo governo.

Segundo a Secretaria de Cultura, há cinco escolas com problemas com a prestação de contas referentes ao último desfile. São irregularidades na apresentação de extratos bancários dos repasses recebidos, na justificativa e no relatórios das despesas e nos documentos fiscais dos valores repassados, o que contribui para o cenário incerto da realização da festa popular, já que, sem a regularização, as escolas podem ficar impedidas de participar do Carnaval do ano que vem. Ainda de acordo com a Prefeitura, do total de oito escolas que desfilaram, apenas três estão com a prestação de contas em ordem.

A última reunião sobre o tema aconteceu no final de julho. Na época, o secretário municipal era o advogado Gabriel Tenan. A promessa, na ocasião, era de que o encontro estava sendo feito com antecedência para evitar os problemas que haviam acontecido no Carnaval deste ano. Desta forma, a Prefeitura decidiu antecipar o planejamento da festa para 2013, convocando os representantes das escolas de samba, dos blocos e das três principais bandas do Carnaval. Não houve nenhuma definição, apenas discussões dos principais pontos da festa que poderiam ser executadas para o próximo ano.

“Nada ficou definido de fato. Esperávamos que esta reunião antecipasse o cronograma, mas, depois deste encontro, não se falou mais na festa. Estamos apreensivos, porque não temos nenhuma segurança de que o evento aconteça e não é apenas uma questão de dinheiro, de receber os repasses da Prefeitura”, disse o presidente da Liga das Escolas de Samba, Blocos, Cordões e Ranchos Carnavalescos de Campinas(Lesca), Edson Jóia.

O presidente da liga lembrou também que, neste encontro, foi sugerido que a Administração oferecesse auxílio às escolas na prestação de contas — um problema antigo e recorrente. “Com o Carnaval sendo feito às pressas, algumas escolas ainda patinam com isso”, afirmou Jóia. De acordo com a Prefeitura, estão pendentes as escolas Acadêmicos de Madureira, Acadêmicos dos Amarais, Estrela Dalva, Ponte Preta Amor Maior e Unidos da Vila Rica. Em situação regular estão as escolas Rosa de Prata, Unidos do Xangai e Renascença. A Prefeitura não informou quais foram os valores dos recursos repassados para cada escola. Eles servem como subsídio para elaboração de fantasias e alegorias para os desfiles. Ao todo, foram transferidos um total de R$ 513 mil para as escolas.

 

Contratempos

“Estamos apreensivos. Mais uma vez, ficamos reféns das incertezas. De mãos atadas, não podemos comprar fantasias, por exemplo, porque não sabemos se terá Carnaval o ano que vem”, afirmou o presidente da escola de samba Renascença, Anderson Rodrigues de Araújo. Ele lembrou que as incertezas também fizeram parte do cenário que antecedeu o Carnaval deste ano na cidade.

Poucos dias antes da festa deste ano, no início de fevereiro, a Prefeitura de Campinas cancelou, na última hora, o Carnaval previsto para ocorrer na Avenida Ruy de Almeida Barbosa, na Vila Industrial. No lugar da festa, que já havia se tornado tradicional na cidade, o então secretário de Cultura, Flávio Sanna, improvisou um evento que chamou de “Carnaval Descentralizado”, com desfiles isolados em três regiões da cidade: Campo Grande, Ouro

Verde e Praça Arautos da Paz, no Taquaral.

A afirmação da Administração na época era que esta decisão ocorreu em razão de falta de verba e de tempo. O prefeito Pedro Serafim (PDT) havia assumido o Palácio dos Jequitibás em dezembro do ano passado, após a cassação do prefeito Demétrio Vilagra (PT). O novo secretário de Cultura foi nomeado quase um mês depois de Serafim ter assumido o cargo, o que permitiu que a organização da festa ficasse para a última hora. Renata Sunega assumiu em agosto com outras demandas na ordem do dia.

A assessoria de imprensa do prefeito eleito Jonas Donizette (PSB) informou que, no momento atual de transição, é prematuro afirmar algo sobre o Carnaval. Além da decisão sobre a realização da festa, o futuro secretário da pasta, o professor Ney Carrasco (PSB), que foi nomeado no último sábado, herdará o ônus de acertar a padronização de prestação de contas das escolas de samba. Os representantes das escolas foram procurados pela reportagem e informaram que todos os documentos solicitados foram entregues à Administração municipal. Apenas a direção da escola Acadêmicos dos Amarais não foi localizada para comentar o assunto.