Publicado 28 de Novembro de 2012 - 8h29

Por Maria Teresa Costa

Painéis de capitação de luz solar na Subestação de Tanquinho da CPFL, que foi inaugurada na última terça-feira (27): diversificação de matriz energética

Leandro Ferreira/AAN

Painéis de capitação de luz solar na Subestação de Tanquinho da CPFL, que foi inaugurada na última terça-feira (27): diversificação de matriz energética

Atlas que será divulgado na próxima terça-feira pelo governo do Estado colocará a região de Campinas no mapa dos investidores eólicos. O secretário estadual de Energia, José Anibal, informou, durante a inauguração da primeira usina de energia solar do Estado, em Campinas, que cidades da região serão apontadas, no Atlas, como bom potencial para a instalação de parques de produção de energia a partir do vento. Ele não quis adiantar quais cidades da região serão indicadas para investimentos no setor. A CPFL Energia vai instalar, em 2013, um aerogerador na Usina Solar Tanquinho, inaugurada ontem, para avaliar a convivência das torres com as plantas de energia solar.

Para realizar o Atlas do Estado de São Paulo, foram feitas medições de vento por cerca de um ano em várias áreas do território paulista. Esse material vai mostrar que o Estado tem potencial eólico equivalente a “uma Belo Monte”. A mega-hidrelétrica do Xingu, que está sendo construída no Pará, terá uma potência instalada de 11.233 MW. “De posse desse material, os investidores irão ver as regiões em que esses investimentos poderão ser mais adequados e ter boa remuneração”, disse o secretário.

Segundo ele, a energia eólica em São Paulo terá viabilidade econômica imediata, porque existe uma logística boa paulista que favorece a instalação dessas usinas e há o consumo. “Na região, identificamos vários pontos onde podem ser implantados parques eólicos”, afirmou.

José Aníbal disse que a atual matriz energética paulista é uma das mais limpas do mundo, cuja participação de fontes renováveis responde por 55% — em grande parte baseada na utilização de biomassa e energia hidráulica.

O desenvolvimento de novas fontes renováveis de energia, sobretudo a eólica, a solar e a proveniente de resíduos sólidos urbanos, tem pautado, segundo ele, as ações do governo estadual no sentido de ampliar a qualidade, a renovação e a diversificação da matriz energética, priorizando as tecnologias de geração de energias limpas e renováveis.

No mundo, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, China e Índia são os que mais produzem energia elétrica por fonte eólica. Estes países, em conjunto com Dinamarca, Itália, França e Reino Unido, fizeram com que a capacidade mundial instalada crescesse a taxas exponenciais. Para se ter uma ideia, a capacidade mundial instalada saltou de 18 mil MW em 2000 para 190 mil MW em 2010.

O Atlas Eólico Brasileiro, de 2001, estima que a potência disponível no País ultrapasse os 140 mil megawatts (MW), cerca de 10 vezes a capacidade da usina de Itaipu. No entanto, a capacidade eólica atualmente instalada é de apenas 728 MW, o que representa menos de 1% da energia elétrica produzida em todo Brasil.

O Estado de São Paulo, no entanto, não possui o potencial de produção de energia eólica tão bom quanto os estados do Nordeste e Sul do País, onde já existem parques eólicos. Os estudos realizados para mapear o potencial para a geração dessa energia consideram sete municípios paulistas: Altinópolis, Avaré, Buritizal, Catanduva, Echaporã, Dois Córregos e São Roque. O monitoramento das sete torres instaladas foi concluído e os dados trabalhados nos Estados Unidos.

A escolha dos locais foi definida de acordo com parâmetros como representatividade climática, indicativo de potencial eólico, proximidade com a rede elétrica, facilidade de acesso e área livre de restrições ambientais, explicou a Secretaria de Energia. O consórcio responsável pelo trabalho é formado pelas empresas Bioenergy e Proventos, vencedoras da concorrência pública realizada em 2008, para um levantamento do Atlas Eólico do Estado, pela secretaria.

Escrito por:

Maria Teresa Costa