Publicado 28 de Novembro de 2012 - 8h24

Por Maria Teresa Costa

Sistema

Divulgação

Sistema "escotilhas" em rua de Barcelona, onde o lixo é depositado e transportado por dutos subterrâneos até centrais de processamento

Um ambicioso projeto de impacto ambiental deverá ser uma das principais propostas do futuro governo Jonas Donizette (PSB) em Campinas. A ideia é, em quatro anos, acabar com os aterros sanitários no município, produzir sistematicamente energia a partir do lixo e implantar um sistema de coleta subterrâneo e por sucção, nos mesmos moldes do adotado em Barcelona, na Espanha. Sistemas como esses, que dispensam os caminhões de coletas, já estão presentes em 150 cidades no mundo.

A capital da Catalunha começou a implantar o sistema, chamado coleta pneumática, há 20 anos, e já investiu 156 milhões de euros (aproximadamente R$ 407 milhões). Atualmente, 30% dos resíduos são recolhidos assim. A meta é que a coleta a vácuo chegue a 70% em 2018 e cubra toda a cidade até 2020.

Segundo o futuro secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, o projeto para Campinas ainda terá de ser detalhado e avaliado em conjunto com outras secretarias. “O nosso objetivo é, daqui a quatro anos, ter uma cidade sem aterro sanitário”, afirmou Paulella, em entrevista ao Correio. Para isso, diz ele, o projeto terá de ser implantado por etapas.

A implantação de um sistema de coleta por sucção é cara, mas, segundo Fábio Colella, gerente comercial no Brasil da empresa sueca Envac, que instalou e opera o sistema em Barcelona, a operação é barata e reduz entre 30% a 40% o custo da coleta de lixo, sem contar que retira os caminhões de coleta das ruas, acaba com os sacos de lixo amontoados e elimina a necessidade de aterros, porque o lixo que pode ser reaproveitado é reciclado, e o orgânico é usado para produzir energia. Segundo ele, há muitos fatores que implicam diretamente no custo de implantação. No caso de Barcelona, a prefeitura da cidade calcula em 1.200 euros por família. “Em compensação, a operação custa menos do que um picolé”, afirmou.

A primeira meta do próximo governo será solucionar a questão da destinação final dos resíduos e iniciar o investimento em processos mais eficientes de reciclagem, com o objetivo principal de transformar o lixo em energia. “Em seguida, é preciso equacionar o sistema de coleta, evoluindo para o transporte tecnológico (por meio de dutos subterrâneos) do lixo, que será o segundo passo”, explica Paulella.

Contrato

O projeto terá de ser implantado por meio de uma parceria público-privada (PPP). Por isso, a proposta é incompatível com o atual modelo de coleta e acondicionamento do lixo, cujo contrato — o maior em termos financeiros da Administração — está em processo de renovação pela Prefeitura. Jonas já informou que pretende rever a contratação. Com a proposta, precisarão ser avaliados, por exemplo, tempo de duração e condições que permitam a implantação paralela da coleta subterrânea.

“Pela minha análise, será necessário um ano para realizar os estudos (do novo projeto)e a licitação. A partir do segundo ano, começamos a implantação efetiva do projeto”, disse Paulella.

Escrito por:

Maria Teresa Costa