Publicado 27 de Novembro de 2012 - 9h00

Funcionários do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) preparam o local para receber flores e ipês amarelos: lâmpadas dos postes e a fiação que havia sido furtada serão trocadas

Edu Fortes/AAN

Funcionários do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) preparam o local para receber flores e ipês amarelos: lâmpadas dos postes e a fiação que havia sido furtada serão trocadas

A dificuldade de fazer a manutenção no chafariz do Balão do Timbó, na Avenida Brasil, na altura do bairro Guanabara, em Campinas, terminou com o aterro do adereço na tarde de ontem. No lugar da água, foram colocados 18 caminhões de terra dentro da estrutura. Ali, será feito um jardim, com grama e plantas ornamentais, como “Barba de serpente”. Assim como acontecia no chafariz da Praça 9 de Julho, no Centro da cidade, moradores de rua usavam a água para tomar banho e até mesmo como banheiro. Quando foi retirado o líquido, o espaço passou a ser utilizado para o consumo de drogas e abrigo para os andarilhos.

A ordem para fechar com terra e transformar o local em jardim foi do secretário de Serviços Públicos, Valdir Terrazan. A revitalização da área começou na semana passada e faz parte, segundo a assessoria da pasta, de uma série de melhorias nas praças e canteiros daquela região. Ao todo, são cinco somente naquela parte da avenida. O Departamento de Parques e Jardins (DPJ) é o responsável pelos trabalhos.

Além de fechar o chafariz e plantar 22 ipês amarelos ao redor da praça, a pasta informou que as lâmpadas que garantem a iluminação do espaço e a fiação que havia sido furtada pelos moradores de rua serão trocadas. O serviço deve ser concluído até a primeira semana de dezembro.

Mas o aterramento do chafariz não agradou a todos. Alguns lojistas, por exemplo, alegam que ele servia para embelezar a praça. “Acho errado fazer isso. Fechar com terra e fazer um jardim não vai afastar os moradores de rua daqui. O chafariz funcionando é lindo e valoriza o comércio”, disse o segurança Jackson Neres Gonçalves, de 37 anos, que trabalha há três em uma das lojas ao redor do balão do Timbó.

Para ele, o ideal seria que houvesse mais rondas da Guarda Municipal naquela área. “É um patrimônio público, mas a Prefeitura não cuida. Os ‘noias’ vêm aqui para usar drogas, roubam a fiação da iluminação e nada acontece. Já tivemos que colocar cadeado na grade lateral que tem no chafariz, onde fica a bomba de água, para evitar que eles entrassem para dormir, usar drogas e fazer as necessidades ali dentro”, contou.

Para a médica Débora Nakazone, de 32 anos, fechar o chafariz não resolve o problema dos moradores de rua ou do consumo de droga. “Não sei se era bonito antes, até porque nunca tinha reparado, pois não tinha iluminação aqui. Talvez se tivesse luz e fosse bem cuidado, eles (andarilhos) não ficariam por aqui”, declarou.

Para a comerciante Maria do Carmo Dalbó, de 52 anos, ao transformar a estrutura em jardim, será resolvido o problema da dengue, por exemplo. “Porque a água ali fica parada. Um chafariz dá muito mais trabalho que um jardim. Mas não acho que isso vá resolver o problema dos moradores de rua, o que incomoda muito”, afirmou.

De acordo com a secretaria, a medida é paliativa e o chafariz pode, no futuro, ser reativado.

Situação de rua

De acordo com a Secretaria de Assistência Social, a abordagem dos moradores de rua é feita diariamente com auxílio, inclusive, do consultório de rua. O censo de quantos andarilhos há na cidade é feito sempre nos meses de fevereiro. Na última contagem, Campinas contava com 609 pessoas em situação de rua.