Publicado 26 de Novembro de 2012 - 8h21

Por Inaê Miranda

Jonas e o vice Henrique Magalhães Teixeira durante a apresentação de novos secretários

Dominique Torquato/AAN

Jonas e o vice Henrique Magalhães Teixeira durante a apresentação de novos secretários

Os primeiros nomes que irão compor o secretariado de Campinas, anunciados anteontem pelo prefeito eleito Jonas Donizette(PSB), foram considerados uma escolha mais política do que técnica por especialistas. Oito dos 14 cargos anunciados — 12 secretarias, Fundação José Pedro de Oliveira (que gere a Mata de Santa Genebra) e Sanasa — ficaram com o PSB e dois com o PSDB. O PV, PSC e DEM ficaram com uma pasta cada um. Os partidos escolhidos foram os que o apoiaram nas eleições e também formam a base do governo estadual.

De acordo com o cientista político Valeriano Mendes Costa, os nomes escolhidos por Jonas são de pessoas ligadas ou envolvidas com o governo estadual. “É uma distribuição habilidosa do ponto de vista político, com uma capacidade grande de interlocução com o governo do Estado. Já era anunciada essa proximidade entre o Jonas e o Alckmin (governador Geraldo Alckmin). A distribuição das cadeiras também foi focada na relação com a Câmara, acredita. “Ou seja, ele pensou nas relações políticas com o governo municipal e do Estado”, explicou. Os nomes indicados até agora, segundo ele, são pessoas com conhecimento técnico, mas vinculadas a partidos políticos.

O cientista político Pedro Rocha Lemos considerou a escolha convencional. Jonas tentou contemplar os aliados no processo eleitoral, dando mais ênfase ao seu próprio partido, combinando perfil político e técnico. “São pessoas de perfil técnico que estão articuladas na política. Então, a escolha dele foi política, em primeiro lugar, mas tentando combinar com pessoas técnicas para cada área.”

Lemos destacou ainda o fato de o prefeito eleito concentrar secretarias chaves nas mãos do PSB, o que demonstra que ele “pretende ter um controle dessas secretarias para não perder a direção que deseja dar à sua administração”. O especialista também considerou estranho o fato de alguns partidos que apoiaram Jonas não terem sido contemplados até agora, como é o caso do PCdoB. O partido, porém, deve receber uma secretaria em uma segunda fase de divulgação de nomes. Ao apresentar os primeiros secretários, anteontem, Jonas disse que irá cobrar soluções deles.

Oposição

O vereador eleito Paulo Bufalo (PSOL), que deve ser um dos líderes da oposição na nova Câmara, considerou a escolha do futuro secretário de Recursos Humanos, Marionaldo Fernandes Maciel (PSB) — servidor público e ex-dirigente do Sindicato dos Servidores —, como uma tentativa de fazer um “amortecimento da pauta do funcionalismo”. “Com essa tentativa, os servidores vão precisar de outro grau de organização e de outra direção frente a essa movimentação política feita pelo prefeito.”

O presidente municipal do PT, Ari Fernandes, disse que está preocupado com a Fundação José Pedro de Oliveira. “Imaginava-se que o prefeito nomearia alguém da área de pesquisa. A Mata de Santa Genebra é um dos locais mais importantes de pesquisa biológica e ele nomeou um empresário do setor imobiliário. Pode ser que se saia bem, mas achei estranho.”

Os primeiros nomes anunciados  

SAÚDE - Cármino Antônio de Souza (PSB)

FINANÇAS - Hamilton Bernardes Junior (PSB)

COOPERAÇÃO DE ASSUNTOS DE SEGURANÇA PÚBLICA - Luiz Augusto Baggio (PSDB)

ASSUNTOS JURÍDICOS - Mário Orlando Galves de Carvalho (PSB)

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS - Wanderley de Almeida (PSB)

CULTURA - Ney Carrasco (PSB)

ESPORTES - Oldemar Elias (Professor Campos) (PSC)

GESTÃO E CONTROLE - Flávio Henrique Costa Pereira (PSDB)

RECURSOS HUMANOS - Marionaldo Fernandes Maciel (PSB)

SERVIÇOS PÚBLICOS - Ernesto Dimas Paulella

VERDE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - Rogério Menezes (PV)

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TURISMO - Samuel Rossilho (DEM)

SANASA - Arly de Lara Romêo (PSB)

FUNDAÇÃO JOSÉ PEDRO DE OLIVEIRA - Pedro Henrique Delamain Pupo Nogueira (PSB)

 

 

Escrito por:

Inaê Miranda