Publicado 23 de Novembro de 2012 - 8h41

Veículos passam por radar de velocidades na Rodovia Campinas Mogi, onde motoristas pedem a instalação por km rodado

Leandro Ferreira/AAN

Veículos passam por radar de velocidades na Rodovia Campinas Mogi, onde motoristas pedem a instalação por km rodado

A implantação do sistema Ponto a Ponto (que prevê cobrança de pedágio por trecho percorrido) na Rodovia Adhemar de Barros (SP-340), entre Campinas e Jaguariúna, pode ficar para 2013. A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou ontem que os estudos de implantação e operação do projeto, que entre as ações deve determinar os quilômetros onde os portais eletrônicos serão instalados, ainda não foram concluídos. O órgão do Estado não deu uma previsão para que o processo seja finalizado.

O anúncio sobre a aplicação do Ponto a Ponto na via, conhecida como Campinas-Mogi, foi feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no mês de julho. Na época, o governador informou que o sistema iria abranger, além de Campinas, as cidades de Jaguariúna, Pedreira e Amparo, que são cortadas ou localizadas à margens da rodovia.

A execução de um novo sistema de cobrança de pedágio na rodovia é uma antiga reivindicação dos usuários que viajam todo dia entre os dois municípios e são obrigados a pagar cerca de R$ 19,00 de tarifa para ir e voltar entre as cidades, que ficam distantes apenas 18 quilômetros uma da outra.

Na região existe uma única praça de pedágio na SP-340, que está localizada na altura do Km 123 da rodovia. O valor cobrado de R$ 9,50 em cada sentido é o preço cheio referente aos 65 quilômetros da via na região de Campinas. Com o novo sistema, os motoristas que aderirem a novo modelo pagariam cerca de R$ 2,00 para percorrer a mesma distância.

Em junho deste ano o sistema de cobrança por trecho percorrido começou a funcionar como projeto-piloto para os moradores da cidade de Indaiatuba, que utilizam a Rodovia Santos Dumont (SP-75) para irem a Campinas. Foram distribuídos tags gratuitos e os motoristas que aderiram ao sistema, deixaram de pagar R$ 20,20 para viajar entre as cidades e passaram a desembolsar R$ 8,20 (ida e volta).

O valor cobrado é o mesmo usado como base para calcular as tarifas que estão em vigor nos pedágios tradicionais. O usuário que trafega com carros de passeio irá pagar R$ 0,14 por cada km que rodar na rodovia.

Revolta

O pedágio em Jaguariúna já foi motivo de muitos protestos da população, que dizem ser uma cobrança injusta e inadequada aos usuários da rodovia. Quem mora em uma cidade e trabalha em outra, tem um gasto mensal que ultrapassa R$ 400,00. O Município de Jaguariúna há anos cobra um desconto de 70% no pagamento da tarifa da praça de pedágio para os motoristas com os veículos com placa da cidade. Atualmente, o desconto é de 20% do valor da tarifa, de R$ 9,50.

“Sou comerciante e, assim como centenas de empresários de Jaguariúna, busco abastecer meu comércio com os produtos vendidos no município vizinho. Com isso, utilizo a rodovia ao menos três vezes por semana. Tem dia que utilizo até mais de uma vez a via. É um absurdo o que gasto mensalmente com essas viagens. Cadê o Ponto a Ponto que o governador anunciou?”, questionou Fábio Granghelli.

O psiquiatra Fábio Marcos Araújo trocou Campinas por Jaguariúna para morar e passou a utilizar a rodovia para visitar a família, que ainda mora em Campinas, além de sua chácara.

“Vou muitas vezes na semana a Campinas e pago um valor alto. Coloquei até o Sem Parar para ter desconto de 20% no valor do pedágio, mas mesmo assim está caro demais. Eles anunciaram o Ponto a Ponto e até agora nada, a população precisa de agilidade nisso”, afirmou.

O empreiteiro Marcelo Silva também utiliza a rodovia por diversas vezes e afirmou que sua mulher trabalha em Campinas. “É um gasto absurdo. Ela vai de ônibus que é mais barato”, disse.