Publicado 23 de Novembro de 2012 - 7h59

Por Maria Teresa Costa

Ônibus em corredor de Campinas

Augusto de Paiva/18mai2012/AAN

Ônibus em corredor de Campinas

O prefeito eleito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), iniciou uma peregrinação pelos órgãos federais, em Brasília, para agilizar a aprovação de projetos e liberar recursos de interesse da cidade e que estão parados ou em análise nos vários órgãos federais. O pacote de projetos foi encaminhado pelo prefeito Pedro Serafim (PDT) a Jonas, como parte do processo de transição de governo. A busca de recursos teve início pelos ministérios das Cidades e do Esporte, onde estão propostas que somam mais de R$ 800 milhões. Jonas quer iniciar o mandato com uma carteira de projetos aprovados e recursos liberados.

“Estou acompanhando todos os projetos que precisam de atenção política. Há muita coisa parada, justamente por falta desse acompanhamento. Um dos exemplos é a verba de R$ 11 milhões que havia sido cancelada para o centro de alto rendimento. Ela não estava na rubrica de obras, mas conseguimos ontem mesmo (quarta-feira) que o ministro Aldo Rebelo empenhasse essa verba”, afirmou o pessebista.

A visita aos ministérios, iniciada esta semana, foi precedida por um encontro envolvendo as equipes de Jonas e técnicos da Prefeitura com os do governo federal, na segunda-feira. Analisados os problemas, Jonas fará uma segunda reunião com o ministro da pasta, na quarta-feira, para agir politicamente. “O que já deu para perceber é que acabamos perdendo a chance de receber verbas federais por falta de projetos”, afirmou o prefeito eleito, que vai implantar um departamento de bancos de projetos assim que assumir.

“Esse não é um problema só de Campinas. A maioria das cidades enfrenta dificuldades em apresentar suas demandas quando o governo abre chamadas e linhas de financiamento. Alguns projetos apresentados por prefeituras possuem embasamento precário para a liberação de verba em ministérios do governo federal, por exemplo”, afirmou. Ele disse que quer ter sempre propostas em mãos toda vez que o governo federal ou estadual abrir chamadas.

O governo federal reconhece que a falta de projetos é um dos grandes problemas para a liberação de recursos. Até o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que foi um avanço na área, ainda passa por isso. A primeira fase do programa foi lançada em 2007 e, desde então, foram selecionados 800 projetos de coleta de esgoto, que somam R$ 21 bilhões. Segundo a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, muitos estados e municípios tinham projetos defasados ou sequer possuíam planos para rede de esgoto. Há obras de 2007 que ainda não foram iniciadas justamente pela falta de projetos.

Entre os pedidos de liberação de verbas para Campinas que estão em Brasília, Jonas insistiu com o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, para que os repasses federais do PAC da Mobilidade e do programa de pavimentação e qualificação de vias urbanas pudessem ser definidos ainda em dezembro. Do total de recursos à espera de liberação nesse ministério, estão R$ 215 milhões para aumentar a oferta de água na região de Viracopos; a construção de uma estação de tratamento de esgoto; sistema de transporte e recalque na região do Boa Vista, que beneficiará toda a bacia do Ribeirão Quilombo, e rede de esgoto no Jardim Santa Lúcia.

O chefe de Gabinete de Jonas em Brasília, Sílvio Roberto Bernardin, informou que também está sendo buscada a liberação de R$ 260 milhões para seis projetos de pavimentação em vários bairros, entre eles, jardins Marisa, Fernanda, Eldorado dos Carajás, Satélite Íris, Vila Esperança, Parque Oziel/Gleba B. Além disso, serão mais de R$ 340 milhões do PAC da Mobilidade para os corredores do BRT.

Obra de corredor de ônibus será mudada 

As obras dos corredores exclusivos de ônibus que ligarão o Centro ao terminal Campo Grande e o Centro ao terminal Ouro Verde e Aeroporto de Viracopos, por onde circularão os BRTs (Bus Rapid Transit), poderão sofrer novo atraso, porque o projeto precisará ser atualizado. O assessor do prefeito eleito Jonas Donizette, Sílvio Roberto Bernardin, disse que há travessias e algumas obras de arte que não estão previstas no projeto original e que terão de ser inseridas. Com isso, afirmou, os R$ 340 milhões previstos para o projeto dos corredores não serão suficientes e será preciso mais verbas.

“O projeto é de 2008 e não foi atualizado e nós vamos tentar, com o Ministério da Cidade e com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), fazer um projeto conjunto, para tentar liberar o dinheiro ainda este ano e poder licitar a obra no começo do próximo”, disse o chefe de gabinete de Jonas.

A implantação dos corredores já sofreu várias alterações. Inicialmente, seriam as vias para o veículo leve sobre pneus (VLP), uma espécie de metrô de superfície. O projeto previa que o VLP iria circular nos corredores Ouro Verde e Campo Grande. O primeiro, com 21,4 quilômetros, ligaria o Centro ao Ouro Verde e ao Aeroporto Internacional de Viracopos. O segundo, com 17,8 quilômetros, ligaria o Terminal Campo Grande ao Centro de Campinas, utilizando o leito desativado do VLT para chegar ao Terminal Central. Mas as dificuldades de financiamento fizeram a Prefeitura desistir do metrô de superfície no Corredor Campo Grande em 2010. Depois tirou o VLP de vez do projeto. Os ônibus do modelo BRTs, maiores que os convencionais, já estão circulando entre o Terminal Ouro Verde e o Centro da cidade, mas por vias tradicionais, com capacidade limitada para locomoção deles.

 

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Maria Teresa Costa