Publicado 09 de Novembro de 2012 - 8h35

Existem muitos pontos em que o Estado se mostra em passiva inadimplência com relação às suas obrigações com a sociedade. Setores essenciais fundamentalmente dependentes da gestão e investimentos públicos estão paralisados em estado de penúria incompatível com o tanto que se aplica de recursos, denotando falta de competência e planejamento.

A Saúde pública é onde a população é mais penalizada, com longas filas em hospitais e postos de atendimento, falta de médicos, exames especializados sempre agendados no futuro incerto, apresentando um caos que se revela em estatísticas de morbidade e falta de assistência. Não há como sustentar um sistema adequado como o Sistema Único de Saúde (SUS), se a base estiver corroída e as gestões corrompidas.

A Saúde pública em Campinas passa por um momento de caos, com o estrangulamento da assistência por falta de vagas. Na segunda-feira o Pronto-Socorro adulto do Hospital e Maternidade Celso Pierro, da PUC-Campinas, voltou a suspender o atendimento por superlotação. Havia um total de 46 pessoas internadas, para uma disponibilidade de apenas oito leitos do SUS. Apenas os casos graves de acidentes eram admitidos e o restante aconselhado a buscar outras unidades de Saúde. Não tardou para que o Hospital Mário Gatti refletisse a crise. Na quarta e quinta-feira as filas de atendimento chegaram a seis horas (Correio Popular, 7 e 8/11). Ontem a situação de calvário, com pacientes à espera de atendimento, se repetiu.

A grave situação demonstra o quanto ainda falta para que a população tenha um atendimento justo e digno. Em um País onde a espera de até três horas para atendimento é considerada normal, não se pode esperar a qualidade que todos merecem. Um sistema de saúde que é custeado em grande parte pelo imposto compulsório cobrado dos trabalhadores não deveria apresentar tantos problemas estruturais.

A Secretaria de Saúde de Campinas adota um sistema de transferência de pacientes através da Central de Vagas, que remaneja o fluxo de acordo com os espaços oferecidos. Embora seja um sistema inteligente, peca pela falta de prática: afinal, a locomoção de pacientes doentes e sem recursos numa metrópole é um problema bastante sério. Obrigar as pessoas a atravessarem a cidade em busca de um local para se tratar, em qualquer hora do dia ou noite, é cruel, desumano e desrespeitoso, além de ser uma demonstração cabal de incompetência nacional de manter um sistema de saúde decente e responsável.